quarta-feira, 12 de março de 2014

Gorges du Verdon – Encontro de Highliners Ep8

Ao longo de cada episódio gravado vivenciamos situações de superação que vão ficar de exemplo para todos nós, são experiências pra toda vida. Aprendizados que vamos pôr em prática e dá continuidade, momentos inesquecíveis e amizades pra sempre. É difícil encontrar palavras para descrever uma amizade verdadeira dessas, principalmente quando você vive esse sentimento puro de acolhimento, longe de tudo, da família e digamos da realidade da nossa rotina. Amizades através de uma afinidade que flui em poucas palavras e no nosso caso, devido a dificuldade dos idiomas, pouco conseguimos nos expressar, mas isso não nos impediu de manter uma boa comunicação com as pessoas que estavam com gente e participaram nos ajudando significativamente a realizar nossos objetivos, tecnicamente usamos a linguagem universal do Esporte e deu certo, e com todos os sentidos aguçados percebermos claramente, também, que além da proposta de viver essa história transformadora no Slackline, estávamos sendo bem recebidos como ser humano, acolhidos como irmão, família, velhos amigos, como se já nos conhecemos e apenas não nos víamos a muito tempo.

Como muita expectativa partimos de Mônaco direto para Gorges du Verdon onde a galera estava se reunindo para a realização de um Encontro de Highliner, este lugar é considerado o pico de Highline mais famoso na França por reunir anualmente em encontros e festivais os maiores atletas de Highliner da região e países próximos. A viagem foi longa e mais uma vez a equipe seguiu separadamente o que fez mais uma vez com que nos perdêssemos. Chegamos tarde, não encontramos o camping onde estava o outro motorhome e decidimos ir para o camping que tínhamos como primeira opção.

 No dia seguinte subimos para o pico do Highline que é um dos mais acessíveis também. Já sabíamos que algumas pessoas das quais participaram dos primeiros episódios desta trip estariam lá, entre eles o Mathieu Pertus, que nos proporcionou uma experiência incrível com o Hopeswing em Ardeche e o Guillaume Rolland que foi a pessoa mais incrível com o qual tivemos a primeira experiência com o estilo deles de andar de Slackliner e o primeiro contato que tivemos com os Highlines na europa através dele em Millau. Eu realmente estava com saudade de um amigo e confesso que no primeiro momento após cumprimentar o amigo Guillaume tive que me afastar por alguns instantes da galera, pois fiquei emocionado com o reencontro. Além disso, eram grandes as minhas expectativas para estar aqui neste lugar e viver esta grande experiência nos diversos Highlines que já estavam esticados quando chegamos.

Depois das apresentações meu parceiro Gabriel começou da o rolé dele nos Highlines menores juntamente com galera, tinha bastante gente e não lembro o nome de todos, mas nas fotos que tirei da pra identificar alguns graças ao facebook. A linha maior nos primeiros dias era uma de 65 metros, apesar de ser uma linha media para o nível da galera só uns poucos atletas estavam tentando atravessar esta linha, entre eles o atleta bem conhecido da galera na internet pelas suas roupas coloridas, antes que alguém o julguem pelo estilo gay que ele representa no Highline, o cara conhecido como Clément é um grande atleta gente finíssima casado com uma mulher linda que também anda Highline. Além do Clemont tentado a travessia grande estavam o Guillaume, mas somente que atravessou esta linha foi o Nathan Paulin que deu um rolé fantástico, a linha estava muito pesada e bem solta o que dificultava ainda mais a travessia, porém a galera deu altos rolés.

Experimentei o Highline começando pela menor linha de aproximadamente 20 metros. Percebi que as fitas realmente estavam bem soltas, mas era o que já esperávamos também. Num encontro de Highliner a galera tendo experiência é só aguardar a vez se encordar, checar a segurança e entrar fita para curtir o rolé, então quem está afim de andar tem que ficar na fila, ficar ligado na vez e respeitar a galera que também está treinando. Foi o que fiz, já que não tínhamos esticado nenhuma linha no Evento! Após o meu primeiro rolé percebi que não estava bem, quando você entra na linha de Highline para se equilibrar é preciso esvaziar sua mente de qualquer perturbação e pensamentos negativos para reativar com positividade e focar no desafio à sua frente que equilibrar-se. Infelizmente percebi o quanto estava mal neste momento, em cima daquela estreita fita sobre um vazio enorme de tremer as pernas, confesso, vinha na minha cabeça somente as palavras ruins que ainda zumbiam nos meus ouvidos, estresse da viagem e momentos pesados que se tornavam um degrau difícil para passar naquele momento. Um Highline incrivelmente lindo de 30 metros aproximadamente com fita gostosa de andar, mas que fugia dos meus pés pela ausência do foco. Um tanto desestabilizado, algo que já mais permitirei que se repita. Saí da fita deixando a livre para galera se divertir e fui desabafar com meu amigo da equipe Diogo. O compromisso com um bom resultado da Trip estava em jogo pela responsabilidade que tenho com este Programa, após trocar falar sobre várias coisas me sentir mais leve, mas apenas apreciei o resto do dia com galera dando um show de equilíbrio.

O primeiro dia se encerrou com uma fogueira no acampamento, a galera se reuniu em volta para fazer um som e curtir anoite, o Gabriel, o Paul e eu nos juntamos a eles. Como a comunicação não era tão boa, a música e os instrumentos tocados pelo Gabriel e o Paul se encarregam de quebrar o silencia da noite fria. Degustamos de um vinho acompanhado de uns petiscos, mas logo saí de sena, estava sentindo muito frio nos pés e lembrei que havia deixado meu tênis no chão atrás do motorhome lá em baixo no estacionamento do pico do Highline, quando subimos para o acampamento tive a impressão de termos subido uns dois minutos de carro, então desci a pé para resgatar o tênis, caminhei por uma hora e 20 minutos, não encontrei e voltei para dormir. No dia seguinte tive a boa notícia que não tinha perdido meu calçado, o Gabriel tinha guardado no porta-malas.

No segundo dia algumas pessoas já tinham ido embora e outras haviam chegado, entre eles o grande recordista mundial de Waterline, o atleta Mitch Kemeter com o qual tive um breve contato após ele realizar uma escalada. A galera mais uma vez deu um show nos Highlines e inciaram a montagem de uma grande linha de 120 metros aproximadamente, tive o prazer de acompanhar um pouco a montagem, mas logo tivemos que partir, pois ainda tínhamos muito chão pela frente. Na descida de Verdon, passando as margens do Rio que serpenteia a estrada vi a possibilidade de abrir um Waterline, paramos o motorhome num recuo a beira da estrada e descemos para chegar as possibilidade, lembrei de um poço que havia avistado de dentro do carro e corri para verificar, tínhamos pouco tempo, mas essa conquista era quase uma questão de honra, uma oportunidade única e que fecharia a missão neste lugar. Chegar no lugar me deparei com um poço incrível com uma água parecendo uma esmeralda, gritei pra galera dando a certeza eu iríamos ali realizar mais um grande feito e iniciamos a missão, a ancoragem foi em pontos naturais e a montagem foi mais fácil que encarar o frio da água gelada. Esta linha ficou batizada como a Linha do Poço Verde, certamente renovado depois deste rolé incrível pegamos a estrada e seguimos em direção a Marseille no Sul da França.

Segue o link do album com mais fotos: Gorges du Verdon - Fotos Facebook Ep8 e o trailer no Canal Off: Encontro de Highliners Episódio8

sexta-feira, 7 de março de 2014

Milão Itália - Conquista em Mônaco Ep7

Saímos das montanhas e partimos direto para o centro de uma das cidades mais charmosas e badaladas da Itália, Milano. Realmente linda também culturalmente. Eu não conhecia nada da Europa, até os lugares que pesquisamos para fazer Highline que achávamos que conhecíamos através das fotografias, nos surpreenderam muito com tanta beleza, são paisagens diferentes de tudo que já tínhamos visto e imaginávamos. E talvez por ter esse olhar diferente, exploramos os melhores cenários deste Esporte que se consagrou no “outro mundo”, tornando a Europa, a França principalmente, no Polo do Highline no Mundo e vamos mostrar o porquê nesse longo período que vivemos lá.
Mas tudo, apesar dos contratempos, oferece opções. Foi assim quando chegando em Milano, o primeiro dia foi com chuva, tempo muito ruim que virou um Day Off. Aproveitamos para andar um pouco pela cidade, não deu para conhecer muita coisa, mas mesmo com chuva e valeu muito. No dia seguinte andamos um pouco de Slackline com a Estátua de Napoleone III num parque que fica próximo ao Castello Sforzesco. À tarde encontramos com amigo que nos levou para mais passeio urbano passando pela Catedral e seguindo por uma incrível galeria onde do outro lado tem uma estátua muito famosa do Leonardo Davince, e com um ponto perfeito para andar de Slackline não hesitamos e esticamos uma fitinha para dá mais um rolé, foi bem legal para registrar a nossa passada por está cidade, mas logo vieram uns guardas e pediram para gente retirar a fita, a gente sem falar nada de Italiano fez com que o guarda fiscalizasse nossos passaportes e sem problemas seguimos o nosso passeio.
Para fechar a despedida o Sirio Zao convidou o Gabriel para conhecer uma academia onde eles praticam Trickline todas as noites, e para quem gosta dessa modalidade fomos conhecer um atleta que treina nesta academia que é bem conhecido na modalidade por suas ousadas manobras de Trick, o Lukas Huber, depois dessa sessão de Trickline seguimos viagem à noite mesmo em direção a um pico de Highline no Principado de Mônaco.
A viagem foi muito exaustiva, chegando no Centro de Mônaco de motohome já por volta das quatro horas da madrugada, sem conseguir um camping ou mesmo um local adequado para estacionar, seguindo por algumas ruas apertadas o segundo motohome da equipe se perdeu seguiu para uma outra cidade para pernoitar. Demos mais algumas voltas e encontramos um estacionamento em frente a uma linda praia no Centro desta cidade que é uma das mais charmosas do mundo onde amanhecemos. O descanso foi pouco, mas valeu por ter acordado neste paraíso, tomamos um café rapidamente e seguimos para fazer o reconhecimento do Pico do Highline, enquanto o restante da equipe chegava, procuramos uma linha conquistada pelo Jullien Millot, mas por causa da espessura dos pontos de ancoragens não pudemos esticar esta linha que por sinal é muito bela com desafio de 35 metros. 
Não conformado em deixar o pico sem fazer nada, resolvi explorar a área um pouco mais e consegui visualizar uma nova linda de Highline. Começou então uma corrida contra o tempo, tínhamos uma longa viagem para fazer saindo dalí e com o atraso da equipe sobrou pouco tempo para essa conquista, mas conseguir visualizar pontos de ancoragens de um dos lados e do outro umas chapas fixas do final de uma Via de Escalada. Além disso, as rochas têm muitos paraboults fixos que podem servir para melhorar a ancoragem, mas tem que ser chapa de 12mm. Até aí sem problema, conseguir usar outro lançando um bloco. Preparei tudo contatando com a ajuda do meu parceiro Gabriel Faria que não se mostrava muito disposto aparentemente e não muito encantado com a conquista.
Então tivemos um momento de muita tensão, não dizer exatamente porque, talvez devido ao longo período de convivência no mesmo espaço durante muitos dias na estrada. Mas tudo fica exemplo para todos nós! No meu ponto de vista, neste caso, faltou parceria e um mínimo esforço de início para conquistarmos um impressionante Highline no topo de uma montanha no Principado de Mônaco. Isso ou talvez pelo cansaço de uma noite mal dormida, não sei! Não puder ver no meu parceiro neste dia a mesma vontade de fazer uma bela história com essa conquista naquele lugar. Apesar do Gabriel já ter adquirido bastante experiência ao longo dessa trajetória, na ocasião por eu querer dividir tecnicamente a conquista desta Linha, dando a ele a oportunidade e a responsabilidade de está envolvido com a segurança, principalmente quando se trata de um Highline para que não aja erro. Neste caso, depois de tudo pronto para esticar a fita, em uma pequena manobra de alteração para diminuir o sistema de redução e alongar a fita, ele foi para o outro extremo do Highline e ao fazer essa alteração colocou a fita do lado errado no Line Lock ou apenas uma e a outra solta, também não soube explicar! O equipamento que só trava de um dos lados. Mesmo distante, ao perceber isso, resolvi deixar que ele corrigisse o erro, eu apenas cobrei um pouco mais de comprometimento com quem está do meu lado envolvido com a nossa segurança como um todo. Daí, para completar o tempo mudou repentinamente e o estresse se juntou ao vendaval no vão do abismo que iríamos transpor, o penhasco se tornou um grande corredor de vento muito forte, a fita se descolou do backup e como estava destravada... ficou flutuando no espaço, não adiantou mais nada, meu parceiro se irritou com tudo e quase abandonou a missão, mesmo depois que eu fui ao outro lado e prendi a fita novamente não adiantou tencionar mais a Linha, as condições adversas tornaram impossível continuar. Desmontamos tudo e com um clima ainda ruim discutimos sobre o ocorrido! Mas como disse antes, tudo fica de exemplo! Para conquistarmos o que parece impossível, é preciso que cada um faça o possível. E muitas das vezes, por mais que você possa fazer tudo, quando se trabalha em equipe é necessário deixar que a outra pessoa faça um pouco do trabalho também, para se superar ou mesmo aprender com o próprio erro. De qualquer forma constituímos uma boa equipe e assim todos festejamos no final dessa Trip com a mesma intensidade sobre todas as conquistas realizadas. E este Highline, apesar de não ter andando, devido às condições, constitui mais uma conquista realizada com aproximadamente uns 30 metros que batizo de Linha do Vendaval, um dia pretendo voltar para repetir esses dois belos Highlines nesta montanha que tem um visual magnífico da cidade lááá em baixo.

Assista o trailer deste super episódio: Ep7 Milão e Mônaco

Para ver as fotos, não esqueça, é acessar a Fanpage no Facebook: Milão Itália - Conquista em Mônaco

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sexten Itália – Highline e Long

Os dias que passamos aqui vão ser relembrados sempre como um momento de reflexão da vida, não apenas por está praticando Highline num lugar de beleza exuberante, mas que durante anos foi um cenário de guerra, e sim pela recepção calorosa por esse grande ser humano que é o Armim Holzer, juntamente com seus amigos Aldo e Lorenzo que fizeram destes momentos os melhores durante essa viagem pela Europa. Sem falar do jantar delicioso preparado pelo pai do Armim que fechou o nosso ultimo dia em que fizemos mais um belo Highline no Monte Piana e um Longline com uma vista impressionante do Tre Cime di Lavaredo.

Depois da noite inesquecível com um jantar tipicamente Italiano e música ao vivo no camping, o dia seguinte não poderia ser mais belo! Nos reunimos todos no estacionamento na beira da estrada onde deixamos o motor home e pegamos mais uma vez uma carona no jipe do Lorenzo, neste dia estávamos na companhia do Aldo, um amigo do Armim que passou a praticar Slackline como reabilitação se recuperando de acidente na neve com esqui.

Subimos em dois carros até o Refúgio Monte Piana, de lá caminhada para os picos de Highlines já é mais de meio caminho andado, e o cume desta montanha apesar de extenso suar enormes gretas é super acessível, permitindo que o lugar com suas diversas linhas conquistadas pelo Armim e com muitas outras opções ainda se torne o playground de Highline na Região como considera o Armim.

O passeio mais uma vez foi incrível, andamos pelas trincheiras usadas de esconderijos pelos soldados durante a guerra... e mesmo pelo fato trágico de um dia este lugar ter sido usado para estas ações ignorantes do ser humano, a paz e o silêncio foi restabelecida e a paisagem com sua beleza incomparável reina na imensidão revelando a imponência da Natureza do lugar com suas gigantes montanhas. A beleza do lugar é composta pelo cenário dos rochedos cobertos de uma gramínea de campos de altitude e os pinheiros que sempre estão colorindo a boa parte da base das montanhas, mas nada se compara as rochas sobressaindo da neve e se destacando no horizonte como é o caso do Ter Cime de Lavaredo que neste episódio fica de plano de fundo, mas esticando uma ascensão, retorno quem sabe um dia para escalar e curtir a vista que tem esse gigante da neve com suas impressionantes linhas de Highlines.

Depois desse rolé irado nesse novo pico de Highline com Aldo ele falou da experiência dele com o Slackline, como o esporte foi importante para que ele recuperasse os movimentos prejudicando no acidente com esqui, uma bela história que nos faz refletir mais ainda sobre a importância do Slackline para todos.


Seguimos depois para conhecer um lago incrível que fica a beira da estrada com uma vista magnífica, no espelho da água reflete os pinheiros coloridos que emolduram o Ter Cime ao fundo. E este foi o cenário escolhido para um inesquecível rolé de Longline, um momento marcante pra mim que tanto estava querendo ilustrar um destes episódios com essa paisagem praticando Longline nos pinheiros ou árvores típicas da Europa. Esse momento também se torna inesquecível, pois pudemos compartilhar do primeiro contato do Armim com o Slackline após seu acidente na montanha.
 
Depois deste dia incrível nos despedimos dos amigos Aldo e Lorenzo na hora de nos despedirmos do Armim tivemos um convite surpresa para jantar na casa dele preparado pelo próprio pai. Ficamos muito honrados e foi inevitável dizer não, além disso, o Armim já tinha nos impressionado com a recepção e as experiências que nos propôs em nos levar para repetir as linhas de Highline conquistadas por ele no Monte Piana, além de sua companhia com momentos de muita descontração. Ele nos contou que seu pai havia passado a tarde preparando o jantar então seguimos com ele para conhecer sua casa.

O jantar foi pra toda equipe e todos se lembrarão desse momento como um verdadeiro exemplo de recepção calorosa. Ao chegar à casa do Armim fomos recebidos pelo pai dele que nos levou até cozinha para saborear com os olhos o que ele havia preparado para o jantar e enquanto preparava os pratos degustamos de um bom vinho. Em seguida o jantar estava na mesa, era um prato típico da região, uma polenta deliciosa e incomparável acompanhada de um estrogonofe de cogumelos e um carne especial de cervo. Esse foi o nosso melhor jantar em toda a viagem, mas mais do que isso, essa dignidade com que esse cara nos recebeu nos fazendo mais uma vez refletir na importância que tem as pessoas umas para as outras, na importância que também devemos dá a fragilidade da vida, pois a qualquer momento em uma fração de segundos podemos não mais estar vivos. Apesar da dificuldade do idioma essa foi uma grande lição que pude intender perfeitamente nas palavras e nos gestos de acolhimento como fomos todos recebidos em seu ambiente, sua casa e sua família. Na despedida foram muitas boas risadas, mas de fato todos estavam tocados pelo carisma desse grande atleta, o que ficou bem evidente a maestria com que ele domina o equilíbrio nos grandes Longlines e Highlines que vimos através dos vídeos que ele nos mostrou de seu arquivo pessoal, e pra fechar! O Armim resolveu presentear um de nós com uma camisa de um Evento de Highline muito importante que teve em 2013 na região, o Missurina Highline. Decidimos na sorte e ganhei esse presente desse cara nota mil. Assim, com muitos sorrisos nos despedimos de todos e seguimos viagem.

Confira agora o trailer no site: Episódio 6 - Itália

Acesse o facebook para ver as fotos: Sexten Itália - Highline e Long

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Lyon França - Monte Piana Itália

Seguimos pela estrada subindo em direção aos picos de Highline nas montanhas geladas da Itália, vamos encontrar outra pessoa incrível nesta região que vai nos levar para conhecer as linhas inéditas de Highline em um lugar incrivelmente belo e acessível, é o Monte Piana que fica próximo às cordilheiras das Dolomites e de frente para o famoso Tre Cime de Lavaredo, um dos mais alucinantes picos de Highline, porem é também um dos mais difícil com acesso possível somente através de escalada, esse era o nosso principal objetivo nesta região. Mas nas altas montanhas as decisões são tomadas de acordo com as condições do tempo e a todo instante, neste caso tivemos que buscar uma solução de imediato se quiséssemos ter um contato maior com gelo e ter uma oportunidade de andar de Highline no cenário desta montanha a essa altitude, tomamos então as melhores decisões e mudamos a rota, saímos para explorar estas linhas conquistado pelo atleta Armim Holzer e foi muito mais divertido do que podíamos imaginar, um momento magnífico que vivenciamos nesta viagem pela Europa.
Depois de uma tarde tranquila de Longline em Annecy, no finalzinho do dia antes de pegar a estrada saímos para finalmente jantar decentemente, encontramos um restaurante que agradava a todos, rodízio! Depois disso pegamos a estrada em direção a Lyon e chegamos por voltas das 23:00, tomei uma taça de vinho com a galera e foi a gota d´água pra mim, passei mal durante a noite e nada parou no meu estômago, achei que pela manhã estaria bem e nada, só piorou! Seguimos para o encontro com uma galera de Trickline na região em uma fábrica abandonada.
Chegando encontramos o lugar ocupado por uma galera que já estava usando o local para combate de paintball, eles estava todos caracterizados com uniformes de polícia do exército e relutaram um pouco em dividir o espaço com a gente, mas depois uma troca de ideia eles cederam e até acompanharam a sessão de trickline da galera neste lugar onde eles mostraram o que envolve a cultura do equilíbrio no Slackline. Eu estava realmente mal, a temperatura também estava muito baixa e eu por não praticar esta modalidade e também não estar bem para treinar o Rodeo ou se quer assistir o espetáculo que eles deram ajudei apenas na montagem e na limpeza do ambiente, que realmente estava em total abandono, e em seguida me retirei de cena, aproveitei para descansar no motorhome. Depois de algumas horas nos despedimos da galera, e seguimos viagem em direção a Itália, foram mais uma dez horas de viagem e a noite, de madrugada quase, paramos na auto estrada para jantar e eu tentei comer um pouquinho, a minha situação não estava realmente das melhores, sabia que não, porque não conseguia comer nada mesmo estando com o estômago totalmente vazio há mais de 24horas.
Chegamos na Itália numa segunda-feira, só percebi onde estávamos pela manhã quando acordei e vi as montanhas cobertas de gelo na paisagem de fundo do Camping, este foi um dos melhores lugares que pernoitamos. A galera tomou um café da manhã de patrão e eu apenas belisquei algumas coisinhas e saímos para encontrar o Armim.
Após esse primeiro encontro com anfitrião, trocamos umas ideias com ele que é muito experiente nestas montanhas e avaliamos a questão do Ter Cime. Para nossa surpresa o Armim estava de muletas, ele explicou um pouco sobre as condições da montanha nesta época em que estávamos lá, não explicou muito sobre o ocorrido com ele, mas se mostrou totalmente disposto a nos guiar, o que já nos surpreendeu muito de ínicio. Seguimos em direção à base da montanha, mas já com o objetivo de conhecer outro lugar que pudéssemos fazer um Highline neste dia.
Conhecemos também o Lorenzo, amigo do Armim, que trabalha no Parque na área que engloba a região do Monte Piana para onde estávamos indo, pegamos uma carona no jipe por uma estradinha muito íngreme que leva até o Refúgio que tem o mesmo nome desta Montanha. Ficamos mais surpresos ainda mais quando o Armim pegou sua mochilinha e mesmo de muletas seguiu rapidamente pela trilha, nós o acompanhamos levando todo o material para esticarmos uma linha e no caminho começou a diversão, era a primeira vez que estávamos tendo um contato maior com o gelo, neve, em grande quantidade como tinha naquele lugar.
Tivemos a portunidade de conhecer algumas outras linhas de Highlines irados que o Armim conquistou, lugares bem acessíveis e com o visual incrível das montanhas geladas ao fundo e uma profundidade enorme olhando para baixo. A essa altura com toda motivação que encontrei na disposição do nosso mais novo amigo eu já estava me sentindo bem melhor, até comecei a beliscar um lanchezinho que levamos, mas dividi com os pássaros que estavam no local que devoram meu bolo em alguns segundos. Esticamos uma pequena linha demos um rolé que nos proporcionou umas imagens incríveis.
Retornamos antes de escurecer com um visual espetacular do Tre Cime ao fundo e fomos para o Camping. À noite estava muito fria, mas aquecidos no aconchego do camping que tinha até música ao vivo jantamos maravilhosamente bem, a galera de tão animados que estavam até se reunião para cantar também para a plateia do restaurante. Mas isso está em off, só nas fotos temos esse registro.
Assista agora o trailer do Episódio 5 na página do nosso Programa no site do Canal Off: Slackline Lyon e Monte Piana Ep5.
Não esqueça de acessar o Facebook também para curtir e compartilhar deste momento através das fotos na Fan Page Atleta Gideão Melo - Album Ep.5

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Dent du Lanfon – Annecy Fr.

Partimos agora para uma grande aventura, saímos de quase o nível do mar para um dos mais altos picos de Highline na França. Vamos conhecer um grande atleta que vai nos guiar até o topo da montanha junto com mais dois guerreiros de sua equipe de Slackline. Todo o esforço da equipe para realizarmos esta missão com os mais belos registros de imagens épicas inéditas na televisão, serão momentos extremos no frio e de superação pessoal recompensado com o resultado deste lindo trabalho e a bela e maravilhosa paisagem desta montanha conhecida como Dent du Lanfon em Anneci. Este lugar tem um enorme lago conhecido pelo mesmo e fica próximo a Itália e Suíça. Um verdadeiro paraíso para diversas práticas esportivas, entre elas o Higline, escalada e voo livre.

Apesar de todos os percalços durante os nossos desafios, eu particularmente, preso muito pela segurança de todos os envolvidos e a minha consequentemente. Aqui eu vou tentar descrever essa expirência que vivi, que foi uma das melhores na minha vida e com uma das melhores equipes de Slackline na França liderado por um atleta muito conceituado em toda a Europa. Essa incrível pessoa que agora faz parte da nossa história e vai nos guiar nessa missão é o Jullien Millot, juntamente com o Thibaut e o Quentin
No alpinismo temos uma filosofia que diz o seguinte, vá para a montanha com uma pessoa mais experiente do que você, pois caso precise, é ela que vai tirar você de uma roubada. Já em ocasiões extremas nos ambientes inóspitos nos tornamos sobreviventes, mas não é caso deste lugar. E de fato não poderíamos estar mais bem acompanhado.

Essa aventura começou pra mim desde a noite anterior durante a viagem, paramos para jantar na autoestrada em um dos poucos lugares abertos que encontramos, a galera fez o pedido de um lanche que seria o jantar, mas por falta de comunicação o meu pedido não foi contabilizado e era o ultimo atendimento antes do estabelecimento fechar também... fiquei sem jantar, viajamos umas 6horas até encontrarmos o camping em Annecy, está noite dormimos nesta cidade que é uma das mais charmosas desta região, considerada a Suíça francesa, e o meu jantar foi pão com atum enlatado, sem dúvida estava uma delícia! Sabia que no dia seguinte haveria uma grande missão e eu teria que da o meu melhor novamente para ajudar a equipe conquistar mais esse grande desafio.

Pela manhã do dia seguinte nos juntamos à equipe do Jullen, separamos o material essencial para montar o Highline enquanto o Paul agilizou os lanches para a montanha. Pegamos o motor home e seguimos para o Dent du Lanfon, estávamos um pouco atrasados do horário previsto para realizar essa missão, mas confiantes iniciamos a subida por uma trilha bem íngreme que leva até o colo das montanhas. Mas logo no inicio da subida percebemos a dificuldade do grupo em nos acompanhar para fazer o registro das imagens e para completar, nosso parceiro Gabriel, que já se mostrava indisposto declarou que estava mal da barriga! Paramos para descansar e analisar a situação. Resolvemos nos separar após conversarmos um pouco e falarmos sobre a possibilidade da equipe de produção não conseguir alcançar o topo da montanha junto com a gente e ou o Gabriel passar mal e termos que voltar todos depois estarmos próximos ao final, o que poderia também comprometer a segurança de todos, pois era a primeira vez que estaríamos tendo uma grande única experiência de escalar todos juntos em uma montanha com o acesso que é bem perigoso por sinal. _Quando temos conhecimento do risco de uma atividade, às vezes somos mal interpretados por nos declarar preocupado e expor uma opinião sobre o risco de acidentes por um dos integrantes e se vale a pena expor uma equipe inteira a um desafio que compromete uma expedição maior ainda. A decisão mais segura, diante do estado em que o Gabriel se encontrava, era ele voltar para o carro e se recuperar para os próximos desafios na viagem ou ficar com o grupo que subiria até o colo da montanha. A decisão então foi continuar, adicionamos um pouco mais de equipamento na mochila de cada um para que o Gabriel subisse mais leve, nos separamos em dois grupos e tocamos pra cima, havia muita subida no trajeto então decidimos subir na frente para adiantar. 

Quando chegamos ao colo entre os vales, de frente para o paredão onde iríamos subir, paramos para lanchar e se equipar, enquanto isso o Diogo Barbosa que é um dos cinegrafistas chegou quase em seguida juntamente com o Gabriel que resolveu que subiria com a gente. O Paul que estava no nosso grupo decidiu ficar e se juntar a equipe que estava subindo até esta base para assim fazer o registro do nosso grande desafio que era andar de Highline no topo desta montanha juntamente com o Jullien Millot.
O tempo passava rapidamente, pelo menos é essa sensação que temos quando estamos na montanha, e neste caso estávamos um pouco atrasados. Nos encordamos todos há uma distância de dez metros entre um e outro, sendo o Jullien na frente guiando o trajeto, seguido pelo Thibaut, QuentinGabriel, Diogo e eu fechando a cordada e recuperando os equipamentos deixados como proteção que usamos ao longo da escalada para dar segurança no caso de uma eventual queda.

Essa escalada foi um momento marcante para mim, e com aspecto de aventura por não saber como terminaríamos ou se terminaríamos bem, pois o fato de o Gabriel não está bem me deixou muito preocupado, mas se ele, por decisão própria, optou por subir! A força de vontade dele de estar junto era mais do que o suficiente para que nós conseguíssemos realizar esta missão. Então iniciamos a escalada à francesa, um estilo alpino muito praticado principalmente para agilizar as subidas. O acesso é também uma área de risco, pois há muitos blocos e pedras soltas, no caso da queda de alguém em qualquer ponto poderia causa um acidente ainda maior por conta disso, mas tivemos todo o cuidado e quando a corda esbarrava em alguma pedra gritávamos rapidamente para que quem estivesse mais abaixo conseguisse se proteger. O deslocamento neste estilo de escalada é simultâneo, a segurança está no contrapeso de cada participante entre os pontos de costura postos em raízes ou pedra entalada, então se faz necessário que todos estejam muito atentos, e eu por ser o ultimo da parte de baixo usei uma técnica simples com apenas um cordelete e um mosquetão através de um de bloqueio chamado prussik, se a distância entre eu o Diogo diminuísse ou aumentasse eu regulava a folga usando o nó.

Assim chegamos ao cume sem nenhum problema, iniciamos a montagem do Highline para começar a brincadeira, o desafio era uma belíssima linha de 35 metros no estilo gringo e bem solta do jeito que eles gostam. Não houve tempo para nós nos adaptarmos a andar neste estilo com fita tão solta, então pedíamos ao Jullien para esticarmos um pouco mais na nossa vez. Mas o maior prazer nesta missão já era ter conseguido chegar neste lugar na companhia deste cara tão incrível juntamente com seus amigos que nos proporcionaram momentos de muita descontração e alegria apesar do cansaço.

Andar neste Highline então foi como um prêmio! Já o frio, esse sim considero ter sido o maior desafio pra mim, coloquei todas as roupas que levei e ainda assim passei frio em alguns momentos. Depois de tudo montado não nos restava muito tempo, então assim que iniciei meus primeiros passos no Highline percebi que o Drone que estava sendo guiado pela a equipe lá de baixo estava sobrevoando no seu limite máximo, sabia que a travessia do Jullien com aquelas imagens aéreas seria histórica para nós e o tempo de voo também era curto, dei alguns passos na fita e saí rapidamente passando a vez para ele que deu um show com seu estilo leve de andar, isso foi gratificante para mim. O Gabriel também se animou e deu um rolé. Essas as imagens entram para a história com esse cenário impressionante, uma linda paisagem sendo revelada com imagens épicas neste Highline estendido sobre essa maravilhosa vista do Lago de Annecy.

Rapidamente enquanto havia luz desmontamos o Highline e fizemos um rapel para o lado oposto da montanha, pois em poucos instantes presenciaríamos outro momento inesquecível, o Jullien trouxe o seu equipamento de voo e fomos todos com ele até a beira do penhasco. Para observar um impressionante salto de Wingsuit por ele, o Diogo preparou a câmera sabiamente em slow e conseguiu registrar o momento exato do salto, ele se despediu e pulou no vazio sobrevoando uma incrível paisagem por quase dois minutos a uma velocidade impressionante. Tivemos ali um pequeno instante de euforia por ter presenciado esse momento e logo nos preparamos rapidamente para descer, pois teríamos que fazer todo percurso de volta e à noite.

Descemos com muito cuidado e sem nenhum problema, no final, quando todos já estavam no chão pegando a trilha de volta, eu fiz o ultimo rapel, e ao ler uma placa em homenagem aos falecidos no local, sentir que a minha preocupação chegara ao fim e na minha cabeça havia apenas a sensação de mais uma missão cumprida. Seguimos um pouco cansados com todo peso do equipamento de volta nas costas, caminhamos com muito cuidado na trilha que estava com alguns pedaços de gelo e em alguns trechos muito escorregadio, mas depois de algumas horas para baixo chegamos tranquilamente e fomos logo encontrar o Jullien Millot lá em baixo na cidade onde aproveitamos para comemorar o resultado desse grande desafio alcançado, ainda para fechar, pedimos umas pizzas e saímos para comer sentados numa praça na beira da estrada. Segundo a narração deles no blog da SlackFr, “_Um verdadeiro banquete, digno de um Asteríx”! Só uma palavra pode ser dita após esta grande realização na companhia de vocês, obrigado! Somos gratos pra sempre por tudo.
Lei um pouco mais através do relato escrito pelo Jullien Millot no blog da SlackFr (Brasileiros no Dent du Lanfon).

No dia seguinte ainda tivemos uma agradável experiência com esse cara. Fizemos Longline num dia de domingo em bosque com o Jullien e sua família, cada um de nós esticou uma fita longa e o Gabriel uma trickline. Tivemos o privilégio de ver de perto todo o seu estilo e aprender com ele uma nova maneira de sentir o equilíbrio para dominar uma fita em longas distâncias, uma verdadeira aula de Slackline por uma pessoa que faz do Esporte um estilo de vida, um cara que representa muito bem o Slackline mundialmente. Foi um dia de descontração, compartilhamos este melhor momento com ele falando do que o Esporte significa na vida dele e assim fechamos essa missão e seguimos agora em buscar de realizar mais uma etapa da viagem aprendendo e evoluindo com os momentos de superação. Afinal vivemos pelos desafios, porque sem superação não galgamos os degraus da vida.
Acesse agora o Facebook para ver mais fotos na página Atleta Gideão Melo Album Dents du Lanfon Ep4

Ah, não poderia deixar de linkar pra vocês o vídeo do Canal Off com a prévia do que vem neste Episódio 4, confira: Dent du Lanfon

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Casteljau - Les Vans - Vallon Pont-d´-Arc Ep3

Depois dos primeiros dias de muitas experiências magníficas em Millau pegamos a estrada em direção a Casteljau, no caminho esticamos duas linhas de Wateline, este pico vai ser revelado mais pra frente. No caminho conseguimos contato com o Mathieu Pertus, um francês que já esteve no Brasil conhecendo os Highlines do Rio de Janeiro. Ele nos convidou a ficar no camping dele e isso foi uma boa notícia, depois de uma longa viagem de motorhome passando pelos túneis nas Gorges du Tarn ainda teríamos que procurar o camping que havíamos pesquisado, a maioria dos campings começam a fechar no início do Outono e alguns também tem um horário limite para entrar. Por volta de onze horas chegamos à cidade, estava um frio intenso, estacionamos e saímos para jantar. Finalmente por volta de meia-noite chegamos no camping e o nosso novo amigo nos aguardava, conversamos um pouco e logo fomos descansar porque no dia seguinte já planejamos muitas descobertas.

O dia seguinte infelizmente amanheceu chuvoso, tomamos um bom café da manhã francês e o Mathieu nos sugeriu conhecer uma cidade antiga em estilo medieval em Naves, foi o nosso primeiro Day Off. Depois deste belo passeio programamos o que faríamos no próximo o dia, mas esse lugar muito lindo em Ardéche guardava muitas surpresas. Uma dessas novidades seria o Hope Swing, o Mathieu ainda nos apresentou através dos vídeos de arquivo dele a modalidade nova no Slackline que é o Rodeo, apesar de não termos tido a oportunidade treinar o Rodeoline, ele ficou sendo a minha maior referência neste estilo, os vídeos dele são incríveis, está modalidade vamos apresentar mais pra frente quando realmente tivemos a nossa primeira experiência e que foi através de um dos amigos dele, o Pierre Jean, que vai se tornar um grande amigo num próximo encontro e nos guiar em outros picos incríveis de Highline na França.

Ok, tudo certo e agora com uma boa previsão de sol pegamos o motorhome e seguimos para o pico do Highline. Enquanto montávamos a linha os amigos do Mathieu chegaram para dá um rolé com a gente e trouxeram todos equipos necessários para montar a linha de hope swing, e aja corda. Para quem ainda não esta acostumado e até para quem já conhece certas manobras do Trickline, o que estes caras fazem no Highline deixa qualquer um vidrado, impressionado! É o estilo “gringo” de viver o Highline e gastar na fita. Entre uma travessia e outra registrando imagens sensacionais a galera preparava a linha do voo, e a Flor, uma mulher incrível de beleza exótica com muita experiência e deu todo suporte na montagem do Hope Swing, ela é esposa do Thomas, eles vivem em um mini motorhome quando estão na estrada em busca dos picos de Slackline, além de viver nesse estilo praticando o Esporte eles ainda tem um cão muito lindo que se chama Copain. O outro amigo que está junto com eles nesta trip é o Pierre Jean, que mencionei antes.

Depois de tudo certo e a segurança checada o Mathieu nos mostrou com o belo jump no penhasco a linha do Hope Swing, é uma loucura se jogar no vazio como se estivesse com o paraquedas nas costas, mas a segurança é apenas por cordas e equipamentos de escalada. A partir daí eu assumir a parte segurança e a galera começou a se revesar nos voos, meu parceiro Gabriel Faria pulou tantas vezes que até perdi as contas, fiquei com o braço bombado como a gente fala na escalada de tanto puxar corda e preparar o próximo salto. Observando que o Highline estava bem próximo à linha de voo me veio à ideia de que tínhamos de fazer também o Swingline, que é caminhar solto no Highline com a segurança do salto em cordas por uma linha distante estendida sobre o vazio, depois de analisar bem o pendulo de todos os saltos então me preparei para caminhar livre no Highline, só de imaginar a queda em direção ao penhasco a adrenalina já aumentava, é preciso uma boa experiência e cuidado para não cair para o lado contrário do pendulo e principalmente manter as cordas de segurança longe das pernas e pescoço. Entrei no Highline e caminhei até onde foi possível, ao sentir a corda me puxando e já com as pernas tremendo me lancei no penhasco, foi uma sensação das iradas que já sentir. Era o primeiro salto de abertura da modalidade no local. Após da a volta assumi a segurança novamente e dei suporte para o Mathieu pular e os amigos que também não hesitaram em experimentar o voo no Swingline e assim dia fechou com essas experiências novas, belas surpresas e uma grande realização.

Essa região é realmente muito impressionantes, a água dos rios é convidativa, mas nesta época é muito gelada. Os vales revelam uma beleza por entre as gigantes Gorges que formam um cenário épico. E em um desses lugares magníficos conhecido como Vallon Pont-d´-Arc está uma bela formação natural impressionante, e debaixo deste arco tem a mais bela linha de Waterline da região na França. São 60 metros de fita estendida de uma margem a outra que gera um grande desafio, desta vez apesar do frio intenso eu e o Gabriel já estávamos mais preparados para este rolé, inclusive sugerimos esticar esta linha que é a maior. Mas infelizmente não nos demos muito bem com essa fita, a mesma que usamos também na linha Franco Brasileira com aproximadamente a mesma distância. Foi um grande desafio para todos, mas a galera depois de também tomar umas quedas atravessaram com muita audácia, pois o vento em alguns momentos dificultou mais ainda.

Este um daqueles belos lugares que pode dizer que é um paraíso, e muito convidativo para a prática de escalada solo sobre a água que é conhecida de Psicobloc. Claro que eu não pensei duas vezes, dei uma escaladinha e saltei na água depois, mas não pude curtir muito porque além da água está muito fria e o dia passou rapidamente e ainda tínhamos muita estrada pela frente, e no dia seguinte teríamos mais Highlines em outra cidade, grandes desafios nos aguardavam e muitas experiências para vivenciar. Sem falar da despedida, os amigos novos deixam saudades, trocamos muita experiência e levamos em nossa bagagem o peso deste conhecimento, dos momentos incríveis que vivemos em cada lugar com essas pessoas com estilos de vida impressionantes, que dão valor a vida e fazem de todos estes momentos um significado maior ainda maior, são essas as portas que nos foram abertas, fomos muitíssimos bem recebidos eu sou eternamente grato a cada uma dessas pessoas. E neste lugar em especial o meu agradecimento vai para o Mathieu Pertus por nos proporcionar estes momentos e nos apresentar novos amigos, o Pierre Jan, o Thomas e a Flor, esses dias com vocês foram inesquecíveis espero que curtam bastante as imagens neste Episódio Três do Slackline, espero recebe-los aqui no Brasil um dia, grande abraço para todos.

Convido a curtir a Fan Page e ver as fotos dos episódios anteriores e este também, são muitas imagens que começo postar compartilhando um pouco mais destes momentos com vocês a partir de agora. Obrigado pela visita, leia mais sobre minhas conquistas nas matérias anteriores. Abraço à todos, até a próxima!

Ah, veja aqui um pouco do que vem no próximo Episódio: Swingline e Hope Swing no Ep3 Assista.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SlackTrip Europa Ep.2

Atravessamos os mais incríveis penhascos na Europa para mostrar os cenários mais irados dessa modalidade conhecida como Highline. Neste segundo capítulo da série vamos ter esses lugares ilustrados por uma paisagem surpreendente no Rio Tarn onde realizamos nossa primeira conquista deixando nosso registro no País do equilibrista, um marco na nossa viagem que a gente compartilha com vocês através do Canal Off. E a emoção do meu parceiro Gabriel Faria que ao realizar uma manobra pela primeira vez no Highline não conteve as lágrimas e também falou dessa experiência maravilhosa de viver o sonho na Europa e está com pessoas incríveis num lugar magnífico como este.
Assista agora o vídeo no Site e veja um pouquinho do quem tem no próximo Episódio:
Após nossa primeira experiência nas montanhas francesas em Millau com o Highline da Princesa, no dia seguinte saímos com a ideia encontrar um pico para prática de Slackline. Ao seguir por uma rodovia nas margens do Rio Tarn ficamos deslumbrados com a paisagem e procuramos um local pra parar com o motorhome. Surpresos com uma paisagem tão incrível, mais do que imaginávamos pelo que já tínhamos visto em fotografias, comecei a ver a possibilidade de que a Linha magnífica de Waterline seria perfeito naquele lugar, e se conseguíssemos esta realização seria uma conquista histórica para nós e para o Esporte.
Perguntamos ao nosso amigo Guillaume Rolland que nos trouxe para conhecer este lugar se alguém já havia esticado uma linha neste local e ele nos respondeu com toda certeza que não, que seria a primeira vez. Isso nos motivou mais ainda, seria como deixar na França um legado após a nossa trip slackline, na verdade é esse o sentido da nossa Slack Trip, deixar por onde passamos o legado das conquistas , seja com um point definido ou com essa visão que compartilhamos, da escolha dos lugares para a prática do Esporte, além da participação das pessoas que fica historicamente gravada no nosso Programa e os feitos que realizamos também entra para a História do Slackine.
Após a definição dos pontos de ancoragens tivemos um grande obstáculo que era transpor o rio sem se molhar nas águas geladas do Tarn, neste final de Outono quando visitamos este local a temperatura já estava bem baixa, então nosso grande desafio nesta conquista já era encarar o frio e molhado não aguentaríamos muito tempo, podíamos até passar mal. Surgiu então a ideia de alugar um kaiake, mas chegando no trailer onde tinha um senhorzinho todo agasalhado vendo televisão, recebemos a notícia que a temporada já havia encerrada e ele não podia mais alugar os kaiakes, mas nos sugeriu um hotel ali bem pertinho onde poderíamos encontrar um. Chegando lá nosso amigo guia da Trip Paul Tridoux explicou em frânces sobre a nossa intensão no local e, as coincidências não pararam, estávamos falando direto com o dono do Hotel que estava lá, o que é difícil acontecer segundo a recepcionista. Depois de alguns minutos de bate-papo chegou mais senhor que por incrível que pareça é o prefeito da cidade, o Guillaume nos disse que estava com a intensão de realizar outros projetos na área, mas precisava de autorização, aproveitou a ocasião e falando pessoalmente com as pessoas certas no lugar certo ou inesperado assim conseguiu. Fomos super bem recebidos por estas pessoas e depois dessa conversa o Paul nos deu a boa notícia também de que estava tudo certo, conseguimos o Kaiake e assim partimos para missão.
O dia estava incrível e o reflexo da água revelava um cenário surpreendente, era até tentador dar um mergulho na água límpida deste lugar com esta paisagem magnífica, mas por está muito frio isso não foi possível. E para evitar que caíssemos na água resolvemos colocar a fita um pouco mais alta e usar a segurança de Highline. Assim ao invés de Waterline a Linha se tornou um Midiline, quando a altura é suficiente para proteger-se da queda, não é muito alto e nem muito baixo, mas permite a segurança mínima. Vocês ainda não viram, então neste episódio a partir desta incrível experiência vocês vão acompanhar o estilo dos “Gringos” na fita, a maneira como eles andam é normal, mas com o estilo próprio que o Esporte dá a cada um de nós. Estou falando do estilo como eles praticam o Slackine, no sentido da origem da palavra, Linha Bamba! É incrível como eles exploram o equilíbrio do corpo. Nós já temos nosso estilo próprio também que é com a fita um pouco mais retesada, principalmente para as linhas de longas distâncias. Eu apesar de já ter observado esse estilo deles pelo que acompanhava e via na internet, eu também estava acostumado a andar com a fita bem retesada, então essa primeira experiência foi bem exaustiva pra nós. Demos um rolé legal, mas apanhamos bastante! Já o Guillaume mostrou com estilo próprio como é possível, basta achar o equilíbrio sorrir e andar..., afinal o Slackline é pura diversão. Depois deste rolé irado trocamos uma ideia e eu sugeri que o nosso amigo pensasse num nome para batizarmos esta linha, e ele prontamente pensou justo na experiência de está ali dividindo este momento com nós brasileiros e ao intender perfeitamente, consagramos está grande conquista na França, batizamos com o nome em nossa homenagem, Linha Franco Brasileira.
Além dos desafios neste esporte está a experiência, buscamos os lugares mais desafiadores e nos preparamos isso, para realizarmos um sonho é preciso dá o primeiro passo e se manter em equilíbrio até afim. Nesta segunda parte vocês vão conhecer a doce e selvagem linha de Highline ou Wild Honey, como queira. De fato para mim foi que eu sentir com a experiência de esse Highline, caminhei por uma surpreendente crista que me levava para um paredão enorme onde puder ver e sentir um ambiente realmente selvagem, alto, muito alto. Quando olhava para baixo via algumas miniaturas de pinheiros e me lembrava que quando passei lá em baixo na trilha a maioria deste pinheiro tem aproximadamente uns trinta metros, é de arrepiar só de imaginar.
Lancei a bola para o outro lado do penhasco onde estava o Gabriel e o Guillaume, junto com o Paul e toda equipe que cuidavam de fazer o registro desta missão e da ancoragem do Highline. Fui descendo no paredão até sentir meus pés no vazio, equalizei os pontos de ancoragens devidamente como tem que ser, puxei a fitas e predi, tudo certo! Do outro lado a galera esticou o Highline e a brincadeira ficou séria, foi nesse lugar e nesse momento que minha fixa caiu, foi o impacto de que realmente a Trip tinha começado pra gente e nós estávamos na Europa fazendo Highline, vivendo uma viagem dos sonhos.


O local onde vivenciamos essa experiência é incrível! É conhecido como Gorges de La jonte, e fica nas proximidades do Rio Tarn onde também tem várias outras formações rochosas conhecida como Gorges du Tarn. A linha tem um nome que realmente representa a sensação de está no local, a Wild Honey, ela tem apenas 20 metros, mas com uma altura impressionante, o que torna o Highline um verdadeiro desafio. Neste episódio revelamos como escolhemos alguns destes picos de Highline, além de estarmos acompanhado de pessoas que conhecem bem o local, claro! O Guillaume Rolland inclusive é um dos conquistadores desta linha juntamente com outra pessoa incrível que é o Christian Kr, vamos falar sobre ele mais para frente. Tem um blog chamado highline database.com lá os picos de Highlines que foram definidos pelos conquistadores estão registrados com a localização no googlemaps e com as informações básicas de acesso e o que é necessário para realizar a montagem. Isso é de uma utilidade enorme, e assim pretendemos em breve registrar todos os nossos Points de Highline aqui no Brasil também, assim quando alguém, de qualquer lugar do mundo, tiver interesse em conhecer estes lugares, poderá ter uma noção básica do que será necessário usar para repetir as Linhas. Existe outro site no google onde também registramos os Points de Slackline no Brasil, mas também está desatualizado. 
Link para: highline database
O Guillaume se tornou um grande amigo, esse cara é um exemplo de pessoa, tem sua profissão e é um atleta nato do Slackline que pratica o Esporte por estilo de vida. Foi a primeira pessoa que, pra mim, encontrou as palavras certas para definir os desafios de se fazer um Highline como um todo, a sensação de dever cumprido, a missão que se completa não apenas pelo atravessar a fita, e sim com o andar na fita após todo trabalho que envolve e que faz parte do desafio! É isso que faz dele um exemplo. A conquista da linha Franco Brasileira e o desafio de andar na fita muito, o frio intenso, essa experiência toda foi muito importante para nós, foi o nosso primeiro passo na evolução com o Slackline na Europa e sem dúvida o mais importante, podemos dizer que foi por onde realmente começamos nessa Aventura. Um momento que sempre vamos lembrar com muita saudade.
Grade abraço e obrigado por tudo mais uma vez.

Acesse para ver mais fotos: Atleta Gideão Melo Facebook