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terça-feira, 5 de julho de 2016

Highline no Mirante do Inferno

Salve comunidade do Slackline!

Esta é a segunda Linha de Highline no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, pelo qual eu tive mais uma vez o total apoio ao meu projeto de implantação da atividade segura na região pela administração do PARNASO a quem, antes de tudo, manifesto aqui mais uma vez meu profundo agradecimento.

O primeiro Highline foi no Dedo de Deus em 2014(entre o polegar e o indicador) essa Linha foi considerada o primeiro grande passo com a modalidade no Parque, tendo em vista a grande importância da Montanha que é o símbolo do montanhismo no Brasil.

Essa segunda conquista tem um significado de igual tamanho a anterior, mas com aspecto positivo ainda maior para a comunidade do Slackline que terá acesso agora à parte alta do Parque, considerado a área interna do PARNASO. Pra mim também é mais marcante ainda porque há anos me imagina fazendo isso com esse cenário de fundo da Agulha do Diabo, que está entre as dez mais belas escaladas clássicas do mundo.

Sempre que posso frequento Teresópolis, principalmente no Evento anual de Abertura de Temporada de Escalada, que hoje em dia é promovido pelo Parnaso e o Clube de Escaladores CET. No ano passado conheci o Gustavo Souza no Evento através do Slackline e sabendo que ele gostava muito do Esporte convide-o para participar de uma próxima missão minha na região. Nas ultimas semanas antes de começar a planejar a subida para a Serra, contei sobre a empreitada e ele aceitou o desafio. Fechamos a equipe em quatro pessoas no primeiro dia, meu grande amigo Alex Sandro Amorim de Teresópolis que também é guia e participou da conquista anterior no Dedo de Deus, meu mais novo amigo Gustavo Souza e meu velho amigo Weber Fiorini que também estava na missão do Highline no Dedo, mais dois amigos subiriam no segundo dia para dar um apoio pra gente e também escalar a Agulha do Diabo.

Iniciamos a subida no dia 30 de Junho, uma quinta-feira, e retornamos no sábado no final do dia, 02 de Julho de 2016, três dias de missão. A nossa ascensão não é muito parâmetro,  mas para quem quiser ter uma ideia de tempo, levamos três horas de subida da Barragem até o Acampamento Paquequer, no final desta publicação colocarei mais informações de acesso observações importantes.

Bom, neste projeto contei somente com o apoio dos amigos para me acompanhar, ajudar na montagem e principalmente a carregar o peso de todo material e, claro, registrar o feito para que assim pudéssemos compartilhar um pouco desta experiência com vocês. Mas o que seria de mim sem o apoio dos grandes parceiros que me ajudam com mochilas, roupas de montanha e equipamentos de Slackline? Pois é, ninguém chega a lugar nenhum sozinho, então sou muito grato essas marcas por acreditarem no Esporte no Brasil.

A abertura desta linha foi uma realização muito especial, o que a gente não consegue descrever, às imagens revelam por si só o grande desafio que é, e o quanto foi magnífico! Conquistamos a Linha principal do projeto batizada de Passagem Infernal com aproximadamente 48 metros de distância sobre o vale com uma altura livre por volta de 50 metros e mais uma pequena linha de 18 metros um pouco mais baixo, ambas com exposição lateral de aproximadamente 2000 metros de altitude, entre o Mirante do Inferno e a parede do São Pedro. O clima estava aquele típico da Serra, frio, sol, nevoeiro e o vento gelado que tornou o desafio ainda mais impactante. Em alguns momentos a serração tomava conta, em outros a paisagem abria revelando todo o impressionante abismo com uma vista espetacular da Agulha do Diabo ao fundo, o vento frio não ajudou muito, por isso batizamos o Highline com este nome, "Passagem Infernal," combinando com os demais nomes das montanhas no penhasco que parece assustador, mas que ao mesmo tempo revelam as paisagens mais lindas da Serra dos Órgãos.

Não cansarei de dizer que essa foi mais uma experiência marcante para mim, considero este o mais belo Highline entre todas as linhas que já conquistei, então até a próxima! Posso imaginar como foi para o meu parceiro que vivenciou toda essa emoção sendo seu primeiro Highline na montanha, imaginem a felicidade que transborda! Super obrigado a todos, atenção para os detalhes sobre as linhas e informação de acesso.

Como chegar?

A Trilha de Acesso é a mesma que leva para a Pedra do Sino com saída no ponto de referência conhecido como Cota 2000. Neste local tem uma descida em direção a Pedra da Cruz, logo em seguida em um bloco de pedra no meio da trilha pegue a bifurcação para a direita em direção ao Mirante do Inferno, este é o início da Travessia Caminho das Orquídeas, também conhecido como Trilha da Agulha do Diabo. Logo no início da descida abre um visual onde é possível observar o Mirante do Inferno, o Morro do São João à esquerda e o São Pedro à direita, entre o colo do mirante é a parede da direita é possível imaginar a linha do Highline que de longe parece bem tranquila. Ao fundo também dá para observar uma pequena parte da Agulha. O único ponto para bivaque com água, é o conhecido Acampamento Paquequer, cabem poucas pessoas neste local. Os demais atletas que quiserem conhecer o point podem acampar no Abrigo Quatro da Pedra do Sino e fazer o percurso bate-volta até o Highline, mas é importante retornar até a Cota 2000 antes de escurecer para seguir de volta tranquilamente para o Abrigo pela trilha da Pedra do Sino. Os guias montanhista da região ou escaladores acostumado a ir neste local conhecem outras rotas alternativas para chegar no Mirante do Inferno, só vá para estas trilhas se tiver profundo conhecimento da área ou acompanhado de um guia para retornar, é fácil de se perder, para quem não conhece, e difícil de sair. Observe o clima e fique atento as mudança de tempo.

OBS: Para ir até este local é necessário conhecimento da trilha ou acompanhamento de um guia, além de seguir as normas de orientação do PARNASO para o acesso, procure também realizar uma prática consciente da modalidade esportiva e respeitem as regras de segurança, evitem grupos grandes e aglomerações na base dos Highlines.


 Relatório da Conquista
Descrição e acesso as linhas.

Estas duas linhas foram conquistadas em apenas uma investida durante três dias na parte alta do Parque, Setor Agulha do Diabo, mais precisamente entre o Mirante do Inferno e o início da parede do São Pedro no colo da montanha a partir do Caminho das Orquídeas. A Linha Clássica do projeto tem 48 metros de distancia e 50 metros aproximadamente de altura livre, mas a exposição do vale é imensa para ambas as opções. A segunda linha tem aproximadamente 18 metros, com visual parecido, mas o desafio é menor, é realmente um bônus para quem se deslocar para conhecer o point e alcançar ou não a travessia maior. O nome Passagem Infernal se deu por causa do grande corredor de vento que é canalizado no local aumentando a dificuldade da travessia em meio à passagem da névoa e vento congelante como estava o clima nestes dias, com mudança de tempo eminente.
Os acessos para a montagem das Linhas a partir destes pontos de referências são muito óbvios, não é necessário escalar para acessar os dois pontos distintos de ambas as linhas, porém, para os demais atletas que não estão acostumados com este ambiente de montanha, para chegar ao mirante do Inferno é preciso fazer uma pequena escalaminhada que, se por ventura bater uma névoa mais forte e molhar pode ficar escorregadio, mas nada se compara a empreitada de acesso a este Setor da montanha que é um local bem distinto dos demais pontos turísticos do Parque e que antes era acessado somente por escaladores e montanhistas que fazem a rota Caminho das Orquídeas e aproximação para escalada na famosa Agulha do Diabo etc.

Highline Passagem Infernal, 48 metros de distância.

Equipamentos mínimos necessários para as ancoragens.

Ambos os lados tem opções de backup em pontos natural facilmente alcançável, apenas por precaução, mas para maior segurança é indispensável independente da força que irá ser exercida na tensão da fita. A melhor base para tencionar a fita é do lado Caminho das Orquídeas. Para a ancoragem, com um pedaço de corda ou fita de 8 metros é possível laçar um ou até dois troncos de arbustos para o backup, para a ancoragem principal são três chapas simples de inox da Bonier para equalização com Spanset, ou sistema de equalização com no mínimo 2 metros e mosquetões de aço. Do lado do Mirante, os equipamentos mínimos se repetem com exceção de um grampo para uso removível no terceiro ponto, obrigatório para nivelar a altura da fita e para equalização tripla auxiliando as duas chapas fixas, para o backup tem um bico de pedra e uma pedra entalada.

Hihighline Bônus, 18 metros de distância:

Essa linha é menor, mas a ancoragem é mais técnica de um dos lados, o lado da base do Mirante do Inferno que requer os seguintes equipamentos: um pedaço de corda de 8 metros e uma fita de 3 metros para ancoragem natural, mais uma fita de 2 metros e um grampo para uso removível. Esse é o melhor lado para tencionar o Highline. Do lado Caminho das Orquídeas são dois grampos fixos, equalização simples auxiliada por backup natural com uma corda ou fita de 8 metros.

Para mais informações sobre como acessar a parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos acesse o site do Parque na aba Guia de Visitantes: ICMBio PARNASO
Caso deseje contratar um guia faça contato com o Alex da TrekTurismo 
E para galera que tiver interessado em viver esta experiência no Highline entre em contato comigo aqui mesmo nos comentários ou por e-mail; basedoscabritos@gmail.com

Comunicação é tudo. Agora sim, até a proxima! Abraços.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Highline Primeiro Nível - Cachoeira da Fumacinha

Aceitar as mudanças e viver ao extremo buscando o melhor em cada detalhe que a Natureza oferece é estar aberto ao novo, ao presente que não se repete, cada passo tudo muda e esse é o encanto, ou ainda, talvez, mais extraordinário do que tentamos descrever.

Chegamos ao final da Chapada SlackTrip e a ultima missão mais marcante foi a conquista de uma linha na Cachoeira da Fumacinha, batizada de primeiro nível. O nome já diz tudo, e em todos os sentidos. Este lugar é muito encantador e cenográfico, se houvesse dinossauros no mundo, eu diria que aqui seria terra deles... Pensamentos loucos a parte, a experiência que vivemos nos dias que passamos aqui foi das mais “loucas” já vivenciadas neste lugar e, no final de tudo, mais uma vez concordamos que não poderia ter sido diferente por mais planejado que fosse. Viver um extremo desses é para poucos, por isso sempre pergunto: você está preparado?

Essa grande aventura começou com a ideia de dividir a equipe para ao mesmo tempo conquistar o paredão da Fumacinha com uma Via Big Wall pelo Paulinho e seu fiel parceiro do climb, o gaúcho Marcelo que viajou quilômetros para continuar o projeto e por fim realizar. Sua chegada foi ao mesmo tempo em que pretendíamos alcançar o roteiro Fumacinha por baixo, seguiríamos todos juntos rio a cima e o Paulinho escalariam o paredão, então a missão veio a calhar com ideia de abrir uma linha de Highline com visual de fundo da Cachoeira e um Waterline no véu da cortina d`água.

A diversão começa quando pegamos nossas as mochilas e partimos para mais uma missão que não sabemos como será, mas imaginamos o melhor desde o início e estamos sempre preparados para o que há que aconteça, e nas surpresas usufruir a melhor ou única opção. Na estrada paramos na ultima merceariazinha e calibramos a bagagem com mais alguns itens para a sobremesa e pronto, com mais ou menos vinte quilos na mochila de cada um, alguns mais, mas adequado ao teste de resistência de cada atleta.

Seguimos para entrada da trilha onde deixamos os carros, e com os últimos ajustes na mochila finalmente partimos para o primeiro objetivo, chegar na base da Cachoeira e fazer algo antes do anoitecer. Depois horas caminhando pelas pedras no leito do rio fazendo algumas pequenas paradas para desacelerar os batimentos e seguindo sempre antes de esfriar o corpo. Tocando rio acima, passando em abismos em que não haveria menor chance de continuar o roteiro caso alguém desse um vacilo e escorregasse rio abaixo. Nem podia imaginar como seria à volta, muito menos se o nível da água aumentasse.

Depois de algumas horas a surpresa para todos, já estávamos bem próximos, surpreendentemente estávamos bem condicionados e em mais alguns minutos chegamos ao destino final. A famosa Cachoeira da Fumacinha ao fundo de um enorme cânion, bem de longe dava para ouvir sua força despejando água para alimentar as corredeiras do rio. Baixamos todas as mochilas na Base uns duzentos e cinquenta metros da entrada da cachoeira aonde poderíamos observa sua cortina d’água, acima de nós um enorme paredão formando um teto nos dava a proteção para nossas noites de descanso.

Aproveitamos o dia com o passeio clássico na cachoeira e a conquista da linha de highline na entrada do cânion da queda d’água, terminamos a montagem à noite e deixamos o primeiro rolé para dia seguinte. A primeira noite foi de chuva fraca, dormimos tranquilos mas a mudança de tempo foi eminente apesar da previsão apontar poucos milímetros de chuva. Consegui dar o primeiro rolé com fita bem molhada, nada mudou a não ser a paisagem, o volume da queda d’água estava aumentando e cachoeira cada vez mais linda e impressionante. Enquanto o Paulinho mais o gaúcho trabalhavam na Via, voltamos para o acampamento e nos preparamos para abrir a linha de Waterline. O dia foi chegando ao fim e só conseguimos fazer a fixação de um dos lado do poção, de frente para cachoeira sendo esmagados contra a parede por um vapor congelante e constante pela força da água. Decidimos então abortar a missão, mesmo depois do pior te sido feito, foi uma decisão sensata, pois o tempo só estava piorando cada vez mais e a saída do salão da cachoeira foi no momento certo. Não teríamos aguentado o frio se continuássemos.

À noite foi mais uma prova de que quando tiramos o pé do conforto de nossas casas, devemos estar preparados para tudo. Durante a madrugada acordamos com a formação de uma nova cachoeira no teto do paredão acima do nosso acampamento molhando tudo de forma cada vez mais continua e um vapor aumentando. Neste momento foi cada um por si com seu saco de dormir e o que mais conseguisse pegar e subir o paredão em busca de um novo abrigo nos platôs. Foi realmente uma noite extrema, na madrugada depois de algumas horas de corre-corre a procura de um lugar seguro eu só identificava os amigos pela luz das lanternas a cada trovão ou rugido da Cachoeira que parecia um monstro urrando, e o barulho aumentava cada vez mais com o volume da água.

Somente no amanhecer conseguimos ver o quanto escalamos para fugir da chuva. No pequeno platô abaixo tinha o gaúcho ainda dormindo, protegido apenas a parte do rosto e restante molhando com os respingos da cachoeira. Acima, no grande platô estava o restante da galera, afinal, apesar de tudo, todos ainda dormiram bem. Mas era o dia de arrumar tudo, dar o ultimo rolé no Highline que foi batizado de primeiro nível, limpar todo material da parede e descer com quase o dobro do peso com os equipamentos molhados e, ainda para completar, aquilo que nem queria imaginar... o Rio se transformou numa corredeira e a descida foi na maior parte por dentro d’água entre as pedras. Alguns trechos de travessias com altíssimos riscos, mas tínhamos que sair de lá encaramos esta aventura a parte que foi a descida. No ultimo trecho para chegar no estacionamento, o nível da água estava acima da cintura. No final de tudo, não poderia ter sido melhor, vivemos um extremo com a recompensa do visual mais lindo de diversas cachoeiras e nos divertimos muito com tudo que era o nosso principal objetivo.

Os agradecimentos já foram tantos e ainda é pouco! A todos que me ajudaram, aos amigos e as marcas SOLO Deuter Brasil e Bonier equipamentos, tenham certeza que este foi um grande passo para o Esporte na Região da Chapada Diamantina e para o Brasil com essas grandes conquistas, espero que todos, de um modo geral, tenham noção da importância disso e nos apoiem cada vez melhor nos próximos desafios. Decidimos por conta própria sair do nosso conforto e buscar algo que possa motivar as outras pessoas a aproveitarem melhor a vida, saindo da inércia onde se cncontram e dar o primeiro passo em busca de um sentido maior para vida. Muito obrigado a todos, até a próxima.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Chapadinha – Ibicoara BA.

Depois de um almoço comemorativo e digno para uma equipe de guerreiros que fez história em Lençóis com a conquista dos dois principais Highlines da Chapada Diamantina, pegamos a estrada rumo ao outro extremo da Chapada, a famosa Ibicoara, conhecida também como Chapadinha com seus belos atrativos turísticos, entre eles, a Cachoeira da Fumacinha que era o objetivo final da Trip. Mas até lá ainda tínhamos muitos outros lugares encantadores com lindíssimas opções para abrir novas linhas e repetir outras já abertas anteriormente pelo nosso amigo e guia Paulo Augusto, o grande precursor do esporte nesta região conhecido também como Paulinho de Ibicoara e sua Família Extremo.

Seguimos viagem em dois carros com uma parada especial em Andaraí para tomar um sorvetinho de tamarindo e mais uma paradinha pra abastecer em Mucugê, depois de mais algumas horas chegamos em Ibicoara, fizemos mais uma nova parada para algumas compras de alimentos e seguimos rumo ao Refúgio FX em Campo Redondo. Na verdade Ibicoara é apenas uma cidadezinha de referência, o pico do Highline nesta região mesmo é em Campo Redondo, nossa base principal até o final da Chapada Slack Trip.

No dia seguinte depois de uma noite bem tranquila de descanso voltamos a Ibicoara para uma reunião na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo a fim de comunicar sobre a atividade esportiva na região e obtermos uma resposta sobre meu pedido de autorização solicitado dois meses antes para abertura de novas linhas de Highline no Parque Natural Municipal do Espalhado. Um dos objetivos era a Cachoeira do Buracão, onde anteriormente já foi aberto uma linha de Waterline e um Highline sobre a cachoeira, umas das quais pretendíamos repetir também.

Fomos super bem recebidos pela secretária de Turismo, Tatiana Neves. Formalizamos juntos um documento provisório para esclarecimentos da atividade, caso alguém no local nos questionasse sobre a prática neste point turístico que tem sido alvo de muita polêmica desnecessária com os praticantes de Slackline.

Mas além de uma taxa de visitação que é cobrada pelo Parque, foi imposta a obrigatoriedade de guias nativos associados à associação de condutores de Ibicora para o acompanhamento turístico no acesso até a Cachoeira do Buracão. “Na minha interpretação essa imposição é arbitrária ao direito de livre arbítrio,” principalmente se você está acompanhado de um outro guia experiente, conhecedor de toda região e qualificado para acessar as áreas de risco que pretendíamos atingir, e mais, nossa equipe de 07 pessoas, fora eu que sou guia também, mas não sou da região, todos são montanhista escaladores, atletas de Slackline e guias locais que atuam em todas as outras áreas da Chapada Diamantina.

Em relação a essa situação então solicitei a isenção das taxas para a equipe, mas o acompanhamento de um guia continuou sendo obrigatório. Daí tudo bem, para não deixarmos de ir no Buracão fizemos contato com um guia conhecido e associado, combinamos a participação dele na missão já que não podíamos e não queríamos pagar o valor de R$ 90,00 por pessoa para levarmos conosco uma pessoa a mais na equipe e sem equipamentos de segurança.

Para diminuir os atritos entre turistas e atletas em relação à linha de Waterline que possui ancoragem natural, mas que quando montada, causa transtorno no acesso dos visitantes, apontei também uma solução. A melhor opção então é fixar pontos um pouco mais para dentro, próximo à cachoeira, deixando o caminho livre para a passagem dos turistas. Depois disso, tudo beleza! Dois dias após haveria uma reunião de conselho dos gestores do Parque e ficamos de obter mais uma resposta definitiva sobre a atividade esportiva com Slackline na área do Buracão. Voltamos para o Refúgio, organizamos os equipos e seguimos para um pico de Highline conhecido como Raposa. Aproveitamos o final do dia numa pequena linha de highline, campo escola da galera, e para aproveitar a missão iniciei a abertura de uma nova linha excepcional na parte superior do point.

Voltamos no dia seguinte e terminamos a linha de vinte e seis metros que batizamos de Segundo Andar da Raposa, voltamos para o Abrigo e fechamos assim mais um dia especial com Highline e muito equilíbrio em um salto surpreendente de bike hardtail pelo nosso amigo Hélder Francisco, atleta na modalidade que dias depois deixou a trip para competir em Salvador e obteve o terceiro lugar num desafio de descida de montanha.
Tava tudo certo para irmos para o Buracão, mas uma nova resposta sobre a atividade no local foi encaminhada por e-mail proibindo a prática de Slackline no atrativo turístico, infelizmente. Entendo que existe outras influências de pessoas com outros interesses nestas reuniões de conselho que vão contra o desenvolvimento esportivo na região e isso compromete a própria gestão da cidade que acaba não apoiando os atletas. Mas não podíamos deixar que isso fosse qualquer desestímulo para nós.

No próprio quintal da Família Extremo tem um enorme paredão onde o Paulinho tinha um projeto de abrir um Highline. Seguimos morro acima para fazer essa missão, o Paulinho nos deixou no local da linha e retornou para agilizar alguns afazeres e resgatar um amigo do Sul que estava vindo para terminar uma conquista de big wall no Canion da Fumacinha. A missão era ir à cidade mais próxima já que Ibicora não tem ônibus todos os dias.

A vida não para e nós muito menos por qualquer falta de solução imediata. Buscamos a harmonia que falta da sociedade no equilíbrio do nosso esporte nos mais belos cenários da Natureza. Conquistamos a linha do quintal do Abrigo que batizamos primeiramente de Highline do Paulinho, mas por uma referência do Lugar ficou como Highline Campo Redondo. É possível abrir mais linhas neste local, cada uma maior, mais bela e mais desafiadora que a outra. Já até iniciei a abertura de uma linha paralela a esta que se tornará um belo desafio e point para evolução.


A Família Extremo recebe amigos e pessoas conhecidas que praticam esportes, oferecendo abrigo e suporte de base para quem deseja alcançar os principais atrativos naturais da região, além de ser um local super agradável para o descanso, o refúgio possui uma trilha de bike, Slackline, e agora uma bela linha de highline. Sem falar do murinho de escalada dentro de casa que você pode ser desafiado pelas escaladoras mirins, Madu e Magá realizando uma bela performance com movimentos suaves parecendo um balé na escalada. O Paulinho faz guiadas para todos os roteiros da Chapada Diamantina juntamente com todos da equipe, são todos pessoas incríveis e parceiros que tornam a família grande e de pessoas incríveis que estão sempre em busca de uma nova aventura. 

Acesse e curta a fanpage para ver mais fotos e compartilhar belas imagens destes highlines.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Highline Pai Inácio

O Morro do Pai Inácio é palco de grandes realizações e histórias, cada uma mais incrível e impressionante que a outra. E agora com mais uma que parece inacreditável... Esta paisagem pra nós também não é mais a mesma, tornou-se mais magnífica ainda com a abertura do primeiro Highline na montanha e a impressionante vista da linha sobre o vale. Como a famosa lenda do Morro que é contada pelos guias quando uma nova pessoa acessa o topo desta montanha, vou contar pra vocês aqui então a minha própria história, que foi realmente vivenciada neste lugar. Uma das minhas maiores experiência na minha primeira visita à Chapada Diamantina com o Slackline foi quando subir o Morro do Pai Inácio com os amigos e estiquei uma fita lá no topo para dar um rolé de slackline num final de tarde, isso aconteceu no início de 2010.
Essa primeira experiência foi incrível e fiquei desde então imaginando como seria mais magnífico ainda se fosse uma travessia de Highline. Aproveitei a oportunidade para observar uma linha e vi que as possibilidades eram grandes assim como o desafio a encarar. De lá pra cá muitos atletas passaram pela região mas ninguém realizou esse projeto, permanecendo apenas as lendas.

 Após cinco anos retornei a Lençóis para viver novos desafios e realizar meus objetivos, pegar a estrada de carona com os novos amigos e fazer o percurso da ChapadaSlackTrip entre um ponto e outro, nos dois extremos da Chapada Diamantina, do Capão ao Campo Redondo em Ibicoara.
Com essa minha nova visita a Lençóis agora finalmente podia me imaginar fazendo parte daquela paisagem, me equilibrando sobre uma fita entre os paredões, um desejo pessoal, mas que ao mesmo tempo o tal feito se tornaria um marco importante para o Slackline no Brasil.

Depois da realização do primeiro Highline na Cachoeira da Fumaça os nossos planos e dedicação se voltaram para o objetivo de realizar mais uma conquista impressionante, desta vez, claro! Era a vez do Pai Inácio.

O primeiro dia foi de planejamento e logística, fizemos um almoço no Abrigo Formigueiro Formiga,reunimos a equipe, separamos o que seria necessário para uma missão de dois dias e nos preparamos para um possível bivaque próximo à montanha já que não seria possível e nem aconselhado dormir no topo do Morro  devido a incidência de raios e rajadas de vento caso o tempo mudasse. Saímos de Lençóis rumo a montanha, uma parte da equipe foi na frente e como todos éramos guias fomos isentados da taxa de visitação, quando chegamos na portaria nosso acesso já estava liberado graças a boa comunicação e respeito que tem os guias nestes acessos.  Subimos no finalzinho do dia para checar os pontos de ancoragens, trabalhamos na instalação de um dos lados deixando o acesso mais difícil para dia seguinte. Descemos já anoitecendo e fomos para o Posto de gasolina que fica próximo, lá trocamos uma ideia com o proprietário que permitiu que passássemos a noite acampados num pequeno quiosque ao lado,  compramos mais alguns acompanhamentos no restaurante para incrementar o rango, jantamos e depois que o estabelecimento fechou tentamos dormir. Acordamos no meio da noite sobre o som de umas gargalhadas e um uma prosa alta do vigia e seus amigos, o papo entrou pela madrugada e não conseguimos dormir mais. Levantamos cedo, tomamos um café e partimos para a missão no Morro do Pai Inácio.

Para alcançar o outro lado fizemos um rapel e atravessamos com cuidado colo da montanha, meu amigo Paulinho e eu escalamos a parede do Inácio Filho na parte mais curta do lado direito e seguimos por uma longa travessia horizontal para a esquerda até chegar no outro ponto da linha. Enquanto isso a galera dava suporte na passagem dos equipamentos. Preparamos tudo e atravessamos de tirolesa pela fita para o outro lado, terminamos de tensionar a fita após horas de trabalho e já estávamos exaustos. Deixamos então o rolé mais para o final do dia. Parte da equipe desceu pra agilizar um rango forte para segurar a onda, almoçamos umas quentinhas e finalmente com a energia reposta começamos a parte mais importante do projeto que era a diversão, mas linha se mostrou imponente e desafiadora, dei vários roles pra alegria dos turistas que torciam e aplaudiam admirados, mas à travessia total dos sessenta metros de linha não foi possível devido ao desgaste físico de todo o trabalho e também pelo fato de termos usado uma corda de backup que ficou muito pesado aumentando a dificuldade do equilíbrio. A pesar disso cada passo na fita valeu a todo esforço, a galera não estava acostumado andar nessas condições também e tiveram uma incrível experiência, além do prazer de tentar e fazer parte de mais essa realização que se torna um marco importante para o Esporte na região.

Para mim foi mais um sonho realizado e com certeza a história de que uma pessoa andou sobre uma pequena fita de uma montanha para outra, por mais que pareça inacreditável, não será apenas uma lenda. 

Mais uma vez agradeço aos amigos: Paulo Augusto, irmãos Rodrigo e Henrique Bastos, Hélder Francisco e também aos irmãos Kim, Tata e Romarinho. Muito obrigado a todos, principalmente aos apoiadores: Abrigo Formigueiro Formiga, Família Extremo, Abrigo FX, a Deuter Brasil, a Bonier Equipamentos e a SOLO Vestuário por garantir minha viagem para realização deste sonho, foi uma experiência inesquecível com muita troca de conhecimento com essa galera bacana que estão sempre realizando os sonhos de outras pessoas guiando nos melhores picos quem visita a Chapada Diamantina.

Até a próxima amigos, as fotos já estão sendo compartilhadas na fanpage, acesse e curta: Album Highline Pai Inácio

sábado, 28 de março de 2015

Highline na Fumaça.

Finalmente chegou o grande momento! Nada melhor que voltar à Chapada Diamantina e desta vez bem preparado, com a intensão de abrir os mais lindos e impressionantes highlines nos lugares mais tops da região. Pra isso acontecer eu precisava de pessoas que acreditassem no Esporte pra me dar um suporte na realização desta missão. O objetivo principal era abrir uma Linha de Highline na Cachoeira da Fumaça que é um dos monumentos naturais mais importante e imponentes do Brasil, este ícone é conhecido mundialmente por todos aventureiros do mundo, pois está no coração da Chapada Diamantina, uma das áreas mais convidativas a passeios, aventuras e atividades esportivas integrado à natureza da Bahia.
Através do Slackline conheci o Paulo Augusto (Paulinho de Ibicoara), um montanhista experiente que se identificou com o Highline que é a modalidade mais radical do Esporte, ele começou a desenvolver a prática na sua região e logo surgiu a ideia de me convidar para realizamos alguns projetos pra ajudar a galera local que curte também o Slackline, mas não te em acesso a essa modalidade que é também a mais encantadora e integra eles ao ambiente de montanha propiciando junto mais uma forma de trabalho como Guias.

Esse convite era tudo que eu precisava e vindo de um cara tão bacana como ele que se tornou meu amigo antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente, e também por ser um montanhista eu sabia que poderíamos fazer um trabalho incrível e através dele conseguir reunir mais parceiros para dar uma força nos próximos grandes desafios. A Base do Paulinho é em Ibicoara, um dos pontos da Chapada que poderia nos propiciar grandes conquistas também, mas falando do meu objetivo principal teríamos que contar com a galera de Lençóis, logo recebi a boa notícia que poderíamos contar com o nosso amigo Formiga, Eduardo Nasa, que nos ofereceu suporte com o abrigo no Formigueiro Formiga, isso me motivou mais ainda pois conseguimos agilizar uma encomenda especial da Bonier Equipamentos que foi entregue no Abrigo em Lençóis para estruturação das linhas, um primeiro passo dado pois com essas chapas já dava a certeza deixar um grande legado para toda comunidade local e pro Esporte com a abertura das principais linhas de Highline na Região.

Recém retornado de uma das trips mais importantes da minha vida com o Slackline gravando para o Canal OFF no pico mais histórico do Esporte em Yosemite onde tudo teve início, daí logo começamos a planejar e agilizar os nossos projetos, quando finalmente consegui as passagens áreas pra Bahia definimos a data para o dia 12 de Março de 2015. Com uma parceria de apoio com a SOLO consegui as passagens aéreas até Lençóis e de quebra umas roupas da coleção 2015 pra segurar a onda nas missões, e como todo atleta de montanha precisa estar bem equipado, mais uma vez contei com as minhas velhas mochilas e apoio da DEUTER Brasil, esse suporte foi essencial para garantir os meus dias em Lençóis e na montanha, saco de dormir bom com o mínimo volume possível, pois não cabia mais nada nas mochilas que já estavam no excesso de peso com todo equipamento de Highline e conquista, detalhes para o mini fogareiro Jupiter da Náutica que coube certinho na bagagem.

Tudo certo então partir pra Lençóis, saindo do Rio as 9 da manhã e as 15h da tarde já estava desembarcando em Lençóis onde encontrei logo toda a equipe que estava vindo de Ibicoara, fui recepcionado pelos amigos que só então falávamos pela internet, conheci o Henrique Bastos, parceirão também que ia fazer os registros dá missão, irmão de um amigo havia conhecido Encontro de Escaladores do Nordeste que foi sediado em Igatu em 2014.
Para aproveitar o dia e a nossa visita em Lençóis, depois de passar no Abrigo do Formigueiro e ter a triste notícia que o nosso amigo Formiga que tinha viajado não iria chegar a tempo do início da nossa primeira missão aí fomos da um alô pra galera na cidadezinha. Encontramos com o Henrique Gironha e combinamos de fazer um macarrão pra galera. Relax antes do dia decisivo do projeto, organizamos tudo deixando alguns detalhes da nossa alimentação na montanha para o dia seguinte.

Sexta-feira 13 com toda positividade partimos para a Vila do Capão, mas antes paramos num vilarejo próximo pra aguardar o Rodrigo Bastos, mais um brother pra missão fechando a equipe em 08 pessoas, fizemos as últimas compras na cidadezinha próxima chamada Palmeiras e depois partimos para a Vila do Capão onde se inicia a trilha principal da Fumaça, esse acesso é o único ponto de controle do Parque, demos entrada para pernoitar e talvez seguir até parte baixa da Fumaça. Iniciamos a trilha num ritmo bom, às 14:15 e em uma hora e quinze minutos estávamos finalmente no topo da Cachoeira. Sensação maravilhosa de poder conhecer este lugar maravilhoso e em algumas horas a mais já estaria vendo tudo isso de pontos nunca antes explorado, pois além de toda essa emoção que o lugar oferece, o meu objetivo era caminhar por cima da Cachoeira, abrir uma linha histórica de Highline neste lugar mágico que têm uma altura impressionante. Ao chegar próximo ao penhasco foi-se revelando uma beleza esplendorosa e expondo o grande desafio que teríamos pela frente. Por volta das 16:30hr começamos os trabalhos, seguimos pela noite até as 21:30 finalizando a montagem deixando tudo pronto para o grande dia de rolé. Pegamos as mochilas e seguimos rio à cima para um bivaque nas margens da cachoeira, um lugarzinho perfeito porém selvagem, à noite a circulação de animais de hábitos noturnos é intensa, mas talvez estávamos todos exaustos e dormimos tranquilamente sem perceber nenhuma presença a mais que a visita de um enorme escorpião durante o jantar.

Na manhã do dia seguinte não foi surpresa a forte neblina, até imaginávamos dar um rolé nas nuvens, mas a umidade estava alta ainda mais com o vento forte soprando uma fumaça branca que parecia quase uma chuva, porém de baixo para cima. Depois de acordar e dar uma verificada na fita retornamos para o Ranchinho Triplex onde passamos a noite. Tomamos um café reforçado preparado pela equipe que esperavam ansiosos por experimentar também a sensação de pisar num Highline grandioso e imponente como este.

As condições não foram as melhores até por volta de quase meio dia. Ficamos todos aguardando uma trégua do vento forte, a paisagem abriu entre algumas nuvens, mas o vento continuou. Decidi mesmo assim tentar, a fita chacoalhava muito oferecendo poucas chances de equilíbrio, fiquei sobre a fita durante quase uma hora tomando chuva no rosto até que em um pequeno instante consegui levantar me equilibrando no vento forte soprado do abismo, de vez em quando percebia a fumaça branca se formar da queda d'água com bastante gotas que chegavam a molhar o meu rosto. Haviam muitas pessoas de prontidão aguardando ansiosos e curiosos por aquele momento, eu senti o equilíbrio e me concentrei na travessia, todos fizeram silêncio e por uns três minutos ou mais, que para mim pareceram bem mais, fui caminhando sobre a estreita fita que em um dos trechos se estendia sobre o vão de 410 metros de altura. Ao me aproximar do outro lado percebi apenas algumas pessoas se movimentando para tirar fotos, dava pra ouvir o barulho dos clicks, as demais não pareciam acreditar no que acabara de ver. No meu último passo toquei a parede e fui aplaudido por todos que ali estavam, levei as mãos ao peito para sentir os batimentos acelerados pois a emoção era sem igual, naquele momento principalmente. Gritei alto para liberar a adrenalina, agradeci a todos e me preparei para repetir a travessia de volta, nas mesma condições de vento ou pior, ergui-me e caminhei novamente luntando para resistir ao vento, mas no meio da travessia de volta cair sobre a fita. Respirei e continuei o final da travessia sendo mais uma vez homenageado por todos ali com mais palmas e abraços pelos amigos.

Passei a vez pra galera que foram revezando entre a equipe até todos tentarem ficar pelo menos em pé em cima da fita, pois as condições não eram favoráveis e também era uma grande experiência para todos aquela primeira tentativa, principalmente com vento forte e altura impressionante.
Agradeço aos amigos: Paulo Augusto, irmãos Rodrigo e Henrique Bastos, Hélder Francisco e também aos irmãos Kim, Tata e Romarinho, o meu muito obrigado de coração por terem feito parte deste projeto. Tudo isso aconteceu porque acreditamos que era possível e nos tornamos uma equipe forte, mas mais do que isso, grandes amigos! Ao grande amigo Formiga que nos deu suporte no Abrigo Formigueiro Formiga, muito obrigado.
Aos outros parceiros que acreditaram na ideia e me ajudaram na realização deste projeto, a minha gratidão em especial por me apoiar ajundando a chegar até Lençóis, ir até as montanhas e voltar com segurança, fizemos histórias vivenciamos incríveis experiências através do Slackline e aqui mais uma vez estou compartilhando com todos esse resultado.

Acesse a página no Facebook, curta e compartilhe deste momento através das imagens: Fotos Album Highline na Fumaça-BA

Obrigado e até breve com mais detalhes das outras conquistas. Assista ao vídeo.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Highline Face Oculta 55m.

Aos poucos o Morro dos Cabritos vai se tornando o local com maior número de Linhas de Highline na Zona Sul do Rio. Quem olha para esta montanha se surpreende de várias formas, uma é por achar que lá é apenas uma rocha redonda... Mas conhecendo de perto é possível ver as incríveis formações que possibilitaram a abertura de diversas linhas para a prática desta modalidade do Slackline aqui e muitas rotas de escalada também. Outra surpresa grande é o visual lá de cima, uma vista linda e encantadora.

E pra galera que curti um bom desafio. O Highline Face Oculta no Morro dos Cabritos é uma linha incrível, acessada somente por escalada. São duas vias distintas com graduação bem fácil para escalar, (III - 100m aprox.) Uma delas é a Via Caminho das Bromélias que abrir especialmente para chegar em um lado da Linha, a outra pelas infos da Escalada é a via Paredão Carioca. O acesso é pelo Parque da Catacumba, a primeira Via fica logo de frente, no extremo entre as faces Norte e Oeste, a segunda Via é a primeira do início da parede na face Norte seguindo pela Trilha Trans Carioca. Os pontos de ancoragens são fixos dos dois lados, com chapas simples e duplas da ‪‎Bonier‬ Equipamentos. O visual e o rolé é uma das recompensas.

Foram vários dias nessa missão em que puder estruturar mais essa bela opção de Highline na Zona, contei com a ajuda do meu amigo Istácio Vieira para levar os equipos, dar segurança para escalar e fazer as imagens que possibilitou esse pequeno registro. O visual é incrível, mas escolhemos ir nesses dias nublados por causa do calor. As imagens estão um pouco embaçadas mais a missão foi perfeita. Na parte da manhã tem um pouco de sombra, mas o sol logo aparece rachando o coco. Na época mais fria do ano é o ideal para esticar esta linha e ficar o dia todo, ou em dias nublados e sem chuva para quem gosta de arriscar, o importante é a segurança já que tem que escalar e descer de rapel pela. O Parque da Catacumba abre as 08:00 da manhã e fechar por volta das 18:00 no horário de verão. Às segundas-feiras geralmente o Parque fica fechado para manutenção.

Assista ao vídeo e visite a Fan Page para compartilhar as fotos desta bela linha de Highline com 55 metros de travessia.  Facebook Atleta Gideão Melo


Atleta: Gideão Melo

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Conquista no Dedo de Deus - Highline Impressão Digital

O Dedo de Deus é uma das mais lindas montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, uma formação rochosa impressionante que se tornou o Símbolo do Montanhismo Brasileiro quando em 1912 teve sua primeira ascensão por cinco desbravadores, o ferreiro pernambucano José Teixeira Guimarães junto com os teresopolitanos Raul Carneiro, caçador local, e os irmãos Alexandre, Américo e Acácio de Oliveira. Eles alcançaram o cume de aproximadamente 1670 metros de altitude após a tentativa frustrada dos alpinistas alemães. A minha história nesta cidade começa 1999, quando aos 17 anos eu fui morar em Teresópolis, essa cidade serrana maravilhosa do Estado do Rio de Janeiro. Nesta época eu nem sabia o que era um mosquetão e nem sequer sonhava em escalar uma montanha, muito menos o Dedo Deus. Quando fui até o Mirante do Soberbo conhecer a tão famosa vista fiquei impressionado, e não imaginava que iria morar aos pés desta montanha por muitos anos. Aprendi a escalar e depois de alguns anos comecei a trabalhar com Alpinismo Industrial. Fui morar no Rio, mas minha paixão pela Serra nunca acabou. Conheci o Slackline que passei a praticar por hobby após meu primeiro contato com o Highline depois de uma escalada na Pedra da Gávea em 2008, passei a me dedicar e o Esporte também se tornou uma profissão. Como Montanhista e atleta de Slackline conquistei diversas Vias de Escalada e abri novas Linhas de Highline na Zona Sul do Rio.
Entre idas e vindas em Teresópolis, escalando pelas diversas montanhas da Serra dos Órgãos, passei a observar o quão propício era a região para esta modalidade do Slackline que pratico. Comecei a idealizar algumas linhas, mas devido às dificuldades e sem apoio o tempo foi passando e a ideia continuou como sonho, até que finalmente depois de tantos outros Highlines já abertos no Rio, vi que estava mais que na hora de dar esse passo pelo Esporte, pois abrir essa primeira Linha no Parque Nacional da Serra dos Órgãos seria um grande avanço para o Slackline no Brasil. Há mais de quatro anos consegui autorização, mas o projeto do Highline não foi iniciado, abri apenas duas linhas de Waterline no Parnaso, uma no Poço dois Irmãos e outra na Piscina Natural, ambas na sede Teresópolis.
De lá para cá mais tempo se passou, continuei abrindo novas linhas aqui pelo Rio até que recebi um convite pelo Parque para eu participar do Evento ATM 2014 de Teresópolis, percebi então que já era mais do que oportuno ter uma Linha de Highline aberto no PARNASO, já que lá encontramos as melhores caraterísticas para essa modalidade. Coloquei o projeto no “papel” e apresentei para a nova administração que prontamente aprovou a ideia sob o cumprimento de todas as normas de uso público análise final pelo chefe do setor, a fim de esclarecer que além da ética do montanhismo praticado na região os cuidados sobre segurança e mínimo impacto fossem devidamente pensados. Ufa! Que bom que o Esporte é redundante no aspecto segurança, mas, além disso, foi levado em conta todo meu histórico e experiência para esclarecer que a prática desta modalidade será feita com total responsabilidade dentro do padrão de segurança e conhecimento da escalada em rocha que é necessário para acessar os locais.
A data do Evento foi o dia 17 de Maio, subi a serra para realizar uma Oficina de Slackline e levei todo equipamento para a conquista também, mas além do tempo não ter colaborado para iniciarmos a conquista no dia seguinte, faltava ainda o ok de um dos administradores que não estava presente. O Evento foi um sucesso, e foi um prazer enorme rever os amigos e compartilhar um pouco do Slackline com a galera da montanha, mas quanto a andar de Highline na Serra me contentei em mais uma vez esperar. Aproveitei para convidar dois amigos de Teresópolis, o Alex Sandro Amorim e o Weber Fiorini que são montanhistas experientes para me ajudar na missão, e para registrar melhor essa empreitada convidei meu amigo fotógrafo Istácio Vieira que mora aqui no Rio.
Passados mais uns dias após receber o ok do Parque finalmente chegou o grande momento de fazer história. Acordamos cedo e as 05:00 horas da madrugada já estávamos com as mochilas pesadas nas costas seguindo para o ponto de ônibus. Teresópolis é logo ali e por volta das 07:00 horas já estávamos na serra, nos encontramos com o Weber Fiorini e seguimos em direção a montanha, a ideia era subirmos devagar enquanto o Alex nos alcançaria na subida. Mas quando ainda estávamos na estrada ele passou, foi estacionar, esperamos um pouco e logo ele se juntou a gente para fechar a equipe. A primeira parte da subida do Dedo de Deus é uma trilha íngreme e muito exigente. A segunda parte é Via Ferrata onde toda a segurança é necessária. Chegamos bem, dividimos melhor o peso da ferragem, material de conquista e tocamos pra cima. Neste acesso, a parte mais crítica e perigosa é depois da bifurcação, seguindo para a face leste. Este trecho requer muito mais atenção, pois os pontos de apoio nas cordas e cabos não são nenhum pouquinho confiáveis, além de ter um enorme abismo camuflado pela vegetação abaixo. Como eu estava acompanhado de dois montanhistas experientes, só me preocupei com a segurança do Istácio que estava subindo uma montanha por escalada pela segunda vez, fiz toda segurança dele indicando os pontos mais seguros para se apoiar e subir mais tranquilo.
Depois de mais algumas horas chegamos finalmente no cume do Polegar que é um dos lados do Highline e sem perder tempo comecei a procurar o melhor lugar para a instalação dos pontos de ancoragens. Na montanha, principalmente nesta, o tempo parece passar mais depressa, ficamos sempre fascinados com tanta beleza que não percebemos a hora a hora passar, mas estava tudo sob controle. Após algumas horas já estava com um lado pronto e segui para o outro que é no Dedo Indicador virando para Face Norte. Para chegar neste outro ponto é necessário escalar o início da Via Caminhos dos Deus e fazer um pequeno lance para a direita até alcançar as ancoragens do Highline, abaixo tem uma exposição de mais de 400 metros de parede, nada pode cair, nada pode dar errado e graças a deus deu tudo certo, instalei os pontos de ancoragens deste lado e iniciamos a montagem do Highline que alcançou os quarenta e cinco metros de distância sobre o vão da Face Norte. Estava tudo certo, mas na hora que terminamos de esticar o Highline começou a ventar muito forte! Mesmo assim subi na fita para experimentar a linha, mas foi impossível. Desci para esticar mais um pouco e foi só sair da fita que parou de ventar forte, finalizamos tudo e com uma calmaria impressionante após a ventania, num silêncio absoluto como se tudo ao meu redor estivesse parado para observar o que estava prestes a acontecer...
Sem qualquer ritual ou desculpa para justificar a adrenalina daquele momento, segui para o Highline e me encordei, chequei toda a minha segurança, me afastei um pouco da margem para evitar qualquer perigo no caso de uma queda não controlada, me posicionei sobre a fita e subi no Highline. A partir deste momento só ouvia os clicks da câmera fazendo o registro da travessia e minha própria respiração. Ao caminhar metade da fita tentava não dar importância ao abismo sob os meus pés, mas percebia a adrenalina aumentar, aos poucos fui controlando, sentindo pela respiração menos ofegante que o medo estava sob domínio, mas não podia me descuidar! Nos últimos passos e à medida que ia chegando perto do paredão do outro lado, apesar de saber que era mais fácil do que o trecho que já tinha caminhado, esses últimos passos pareciam está sendo os mais difíceis, mantive o pensamento positivo mais forte e caminhei até tocar a rocha com as mãos e descarregar o resto de adrenalina em um grito de comemoração. É sempre gratificante toda experiência na montanha, mas nada melhor que está bem acompanhado fazendo o que a gente gosta, e neste momento eu percebi isso mais ainda, nas palavras e no sorriso contente dos amigos que presenciaram este grande feito e ficaram felizes por mim, por juntos estarmos fazendo este primeiro momento da História do Highline no Dedo de Deus se tornar inesquecível. Essas experiências incríveis nos tornam eternamente gratos, obrigado pela ajuda de cada um e por acreditarem na ideia até o fim.
Meus sinceros agradecimentos a todos da administração do PARNASO por ter compreendido a importância que a abertura desta Linha representa para o Esporte no Brasil, apesar de ser uma realização com esforço pessoal e de poucos envolvidos, mas que somos pessoas que dão verdadeira importância para os benefícios desta pratica e a segurança com que deve ser realizada. Este Highline no Dedo de Deus, batizado pelo nome Impressão Digital é por tanto o marco inicial do Esporte na área do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, um feito histórico que para mim se torna mais um sonho realizado no dia 06-06-2014. Agradeço também aos meus apoiadores, Deuter Brasil, SOLO, Snake, EverlastBrasil, SlackBrasil e a Bonier Equipamentos de Segurança.
Geralmente não mencionamos o retorno para casa depois de concluir uma missão dessas na montanha, mas essa merece atenção, pois o acesso desta montanha é comprometedor. Após a travessia ida e volta no Highline começamos rapidamente desmontar tudo para sairmos o mais rápido possível da montanha e passar ainda com luz os trechos mais críticos do acesso. Minha preocupação era que todos voltassem bem, mas minha atenção mais uma vez ficou para realizar a descida do meu amigo menos experiente com total segurança. Descemos com toda atenção e segurança realizando rapel na parte mais crítica da trilha e no trecho final dos cabos de aço. Foram mais de quatorze horas de missão na montanha, mas tudo ocorreu bem, com total comprometimento e responsabilidade. Esse acesso crítico para a Face Leste é geralmente usado somente para subir, após a escalada até o cume o rapel é realizado pelo outro lado da montanha. É necessário muita experiência para realizar qualquer atividade nesta montanha, além disso, antes de acessar essas escaladas no complexo do Dedo de Deus também é necessário ir à portaria do Parque preencher um Termo de Responsabilidade e dar baixa na saída. O PARNASO também dispõe de uma lista de Guias Credenciados. Os pontos de ancoragens do Highline são fixos, sendo necessário buscar outros pontos de ancoragem natural para o backup, principalmente do lado do Polegar. Muito equilíbrio para todos, até a próxima.

A conquista deste Primeiro Highline no Dedo de Deus é destaque no Globo Carderno Serra - Highline no Dedo de Deus
 Mais sobre a Conquista do Dedo em 1912

Acessa fanpage Atleta Gideão Melo para ver mais fotos: Highline Impressão Digital - Dedo de Deus

"O PARNASO proporciona oportunidades para escaladas em todos os níveis, desde iniciantes até algumas das escaladas mais técnicas do Brasil, como as vias no bigwall da Pedra do Sino.
A atividade de escalada em rocha está intimamente relacionada à conservação dos recursos naturais, dessa forma o PARNASO apóia a prática da escalada esportiva de forma ambientalmente responsável. Antes de iniciar atividades de montanhismo é importante ler as  Regras de Uso Público do PARNASO (que possui normas específicas para escalada) e a Cartilha do Caminhante Consciente da Serra dos Órgãos. Verifique também se a área onde pretende escalar tem acesso permitido no Zoneamento do PARNASO."
Para mais informações acesse: PARNASO - Guia do Visitante

terça-feira, 27 de maio de 2014

O Segredo do Abismo

Você já teve alguma experiência ou oportunidade de encarar e controlar o seu medo? De repente a vida nos coloca diante de grandes desafios em que tudo depende da nossa coragem, do poder de decisão, mas isso não significa que você deixará de ter medo e sim assumir o controle das suas reações. Não é evitando os desafios ou o desconhecido como resposta. Eu já tive grandes momentos de medo, o que sempre me faz parar pra pensar e refletir sobre se o que eu estou fazendo é bom ou ruim pra mim, me questiona qual seria a resposta naquele momento para encontrar o ponto de equilíbrio quando estou diante de um abismo.

No esporte e na vida viver com coragem não é fugir do medo! Uma vez me perguntaram: o que é altura pra você? Eu respondi prontamente! _Respeito, eu tenho medo! E é isso que me mantém vivo, nós devemos ter sempre esse medo que é uma forma de respeito à segurança. Sem o medo a gente acaba sendo inconsequente! Então o medo se torna importante, ele está sempre presente e é o que gera adrenalina. Se não gerasse adrenalina seria algo desinteressante e no Highline e na Escalada pra mim é assim, o medo está sempre presente, vai sempre existir e deve ser sempre respeitado!

Eu recentemente fiz uma escalada no Corcovado com meu amigo Istácio Vieira onde vivi mais uma grande experiência desta em que, ao mesmo tempo em que demonstrei coragem, dada a minha experiência na escalada e em ambientes em altura, tive que revelar o medo para mostrar ao meu parceiro que na montanha deve haver sempre um meio termo, para que assim a gente possa planejar as nossas ações e controlar as reações para manter o equilíbrio e se mover com segurança. Meu amigo é um jovem fotografo de 18 anos e nunca tinha escalado uma montanha, porém já havia tido algumas experiências de escalar pequenas paredes e manusear os equipamentos básicos para a segurança, mas sem autonomia, o que requer sempre um olhar atento a todo o momento para que ele não deixasse de ficar preso em algum ponto.

Apesar da escalada por si só já ser um grande desafio, a contar pelo acesso até chegar a parte alta da montanha para escalar essa Via(rota) clássica no Rio de Janeiro chamada K2, o meu objetivo era ainda mais audacioso do que levar um escalador com pouca experiência para escalar essa montanha até o seu final e poder sair no Cristo Redentor, mas como sou guia e instrutor de escalada, toda essa parte para mim seria apenas mais uma aula, um treinamento e o privilégio, claro! De está novamente escalando esta montanha sagrada, com total comprometimento de quem a deseja escalar, como fazemos todas as vezes em que tiramos o pé do chão para alcançar um cume especial como este. Há muitos anos escalo esta montanha e pelo menos há seis anos desde que comecei a praticar Highline eu tinha vontade de abrir uma Linha entre o vão que se forma antes da ultima parte desse paredão nessa escalada. E foi a busca por mais esta realização que me levou a viver mais esta grande experiência.

Em todo esse tempo eu planejei ir vária vezes, mas acabei não indo! Por se tratar de uma escalada não muito fácil para subir com todo material pesado de conquista e por ter o acesso à base da parede um tanto longe, acabava não conseguindo apoio para ir de carro e assim adiava, cheguei a convidar vários outros amigos mais experientes para escalar comigo, mas de nenhuma forma foi possível até num determinado momento em que percebi que o que faltava mesmo era dar o primeiro passo, pois atitude, experiência e disposição eu já tinha. Então convidei de um dia para o outro o meu amigo fotografo Istácio Vieira que seria meu parceiro nessa missão e o conhecimento dele seria essencial para fazer o registro dessa primeira travessia no Highline.

Na mesma tarde em que planejamos a missão conseguimos um apoio de carro do nosso amigo Elias Maio, o qual seremos sempre grato pela grande ajuda em nos levar de carro até o estacionamento das Paineiras, o que facilitou o nosso acesso a trilha que leva para as escaladas na parte alta, se não teríamos que caminhar por pelo menos umas três horas só de ida. E assim partimos para esta missão, na mochila apenas o mínimo necessário, mesmo assim a mochila foi extremamente pesada então tive que arrastá-la parede acima. Escalamos por durante quatro horas até chegar na penúltima parte da parede que culmina no mesmo ponto da outra Via chamada Macaco Prego do outro lado do vão. Instalei os pontos de ancoragens, preparei todo esse primeiro lado e continuamos a escalada para acessar o lado oposto. Como estávamos somente com o mínimo de equipamento, deixei a corda principal para o backup da Linha e tivemos que escalar o restante da Via com apenas 20 metros de corda, o que não foi possível para acessar o outro lado através de rapel, então para não perder a viagem tive que desescalar o ultimo trecho após descer meu parceiro com segurança usando a corda.

Instalei os pontos de ancoragens desse outro lado e depois de mais algumas horas recolhi a cordinha que tinha lançado, puxei a fita, equalizei todos os pontos, tencionei o Highline sozinho enquanto meu amigo se encarregava de registrar tudo, e finalmente pisei na fita para experimentar mais uma vez essa sensação do desconhecido. A linha de aproximadamente trinta metros sobre uma exposição de mais de quatrocentos metros de altura bem embaixo dos meus pés, estávamos próximo ao topo do Corcovado que se sobressai no meio da Zona Sul com seus setecentos e dez metros de altitude. Nesta hora, por um breve instante hesitei se eu realmente precisava fazer aquilo? Aí me veio na cabeça toda a experiência que acabara de ter, que trouxe meu amigo e eu até o final dessa escalada, realizando o sonho dele de escalar o Corcovado pela primeira vez, tudo aquilo, por mais que já tivesse realizado o sonho de outros montanhistas escalando essa mesma Via várias outras vezes, essa era uma experiência nova, um aprendizado diferente. Lembrei que durante a escalada eu o ajudava o tempo todo a manter o foco na escalada, ensinando-o a desvendar o segredo do abismo, de se concentrar para manter o equilíbrio e assim consegui se movimentar! A resposta para estes momentos, que somente assim conseguimos experimentar o novo, e fui rapidamente controlando o medo. Certamente essa dúvida foi só por alguns segundos, pois logo percebi que tinha feito tudo certo, e não teria o menor problema se não conseguisse atravessar a fita naquele momento, a conquista da Linha estava terminada, todo o trabalho tinha terminado e poderia voltar outro dia para ter o privilégio de encarar novamente o desafio e atravessar o Highline, se fosse o caso. Mas após passar esses segundos de hesitação, dei o ok para o Istácio fazer o registro da travessia que eu iria andar. Estava sentado na fita sobre o vazio, levantei e suavemente caminhei, no meio as pernas sempre tremem um pouco, cheguei a pensar novamente que não conseguiria naquele momento, mas me concentrei e andei até o fim, comemorei um pouco a travessia do outro lado, dando uns gritos para liberar a adrenalina, pisei na fita novamente e atravessei de volta sem cair uma só vez. Como dizem: de primeira! O tempo todo eu acreditei que era possível, sempre controlando a adrenalina que se manifesta através do medo, tremedeira nas pernas e coração acelerado, reflexos de pensamentos que por pequenos instantes nos questionam parar ou continuar. Assim eu descobrir mais uma vez que tudo depende de nós mesmo. Se você está diante do seu desafio é porque você teve capacidade de chegar até ali, claro! Mas continuar é uma opção, a melhor escolha, pois o primeiro passo é sempre o mais importante e é acreditando e controlando os nossos medos que tudo dar certo. A resposta que precisava estava em mim. O medo pra mim não é mais uma sensação que me aprisiona, o medo sob controle me faz querer ir além. Me surpreende com o novo a cada passo no desconhecido e aguça ainda mais meus pensamentos, é através do medo que eu experimento a dose mais forte da adrenalina, o que é bom só por um momento! Não é com muita coragem e nem sem, não é papo de otimismo, o controle do medo é o segredo do abismo. E assim mais uma linha incrível de Highline na Zona Sul foi conquistada, e por essa experiência maravilhosa que tive a batizei de O Segredo do Abismo.

Agradeço pela visita, acesse e curta a Fanpage para acompanhar as fotos desse magnífico Highline: Atleta Gideão Melo
Até a próxima!